Chacinas e decapitações aumentam poder de facções brasileiras na fronteira da Bolívia

Posted by


Policiais bolivianos reforçam a segurança na fronteira do Rio Mamoré (Foto: Instagram)

As forças de segurança do Brasil e da Bolívia reforçam operações contra o crime organizado nas margens do rio Mamoré, área estratégica para o tráfico que cresce na região. Em Guayaramerín, porto boliviano de 40 mil habitantes, a movimentação constante de embarcações revela falhas no controle migratório, facilitando a atuação de facções como o PCC e o Comando Vermelho em território vizinho.

++ Elize Matsunaga: Carro do crime agora tem novo dono e acumula várias dívidas

No pequeno terminal, passageiros embarcam e desembarcam sem revista, conforme denuncia Donald Somoza, pedreiro aposentado de 75 anos, que vive às margens do rio. A ausência de fiscalização fortalece a sensação de impunidade e torna o local um corredor para suspeitos. Apesar do clima ameno e das ruas de terra avermelhada, moradores reportam um aumento de crimes variados, de furtos a sequestros.

++ Fiji enfrenta surto acelerado de HIV impulsionado pelo uso de metanfetamina

Levantamento do Ministério do Governo indica que, entre janeiro e setembro de 2025, Guayaramerín registrou 774 homicídios, ante 325 no mesmo período de 2024. Ariana Roca, professora de 35 anos que cruza diariamente o Mamoré desde Guajará-Mirim (Brasil), afirma que “às vezes acontecem coisas debaixo do nariz dos policiais”. Além dos assassinatos, cresceram assaltos à mão armada e outras formas de violência.

O agente de câmbio Adhemar Zapata já foi assaltado duas vezes, a última no início de agosto, em um crime praticado por ladrões, entre eles um brasileiro, segundo investigações. O governo de Rodrigo Paz, empossado em novembro após duas décadas de administrações socialistas, responsabiliza gestões anteriores pela escalada da criminalidade. Em poucos meses, 17 líderes de organizações criminosas internacionais foram capturados.

Na última semana, Paz anunciou um plano de segurança para reforçar o efetivo policial na linha de fronteira, compartilhar inteligência com o Brasil e prender foragidos de ambos os países. O investigador Chacín avalia que maior presença ostensiva pode inibir a violência, mas ressalta a importância de aprofundar investigações sobre lavagem de dinheiro para desarticular o financiamento das quadrilhas. “É preciso um projeto sério nesse sentido”, destaca.

Além das ações imediatas, o governo prevê a construção de uma ponte ligando Brasil e Bolívia, parte de um corredor viário até o Pacífico, no Peru. A iniciativa é vista com otimismo por comerciantes, mas também gera apreensão: “As máfias de roubo podem atravessar mais facilmente”, diz Yestin Durán, vendedora de 31 anos. Coronel Johnny Rivas, chefe da polícia local, admite expectativa de aumento nos índices de violência e planeja ampliar o contingente.