Uma bebê de apenas 10 dias morreu após contrair o vírus herpes simples (HSV), associado ao herpes labial, na Inglaterra. Magnolia Brookes, chamada de Maggie pela família, nasceu em 1º de fevereiro e morreu no dia 11, em decorrência de falência múltipla de órgãos. Sua mãe, Meg Edmonds, de 22 anos, relatou que apresentava uma lesão nos lábios na época do parto, mas desconhecia os riscos que a infecção poderia representar para a filha.
Em entrevista ao jornal britânico Metro, Meg contou que a gravidez transcorreu sem complicações e que Magnolia nasceu por parto na água, 11 dias após a data prevista. A menina era a segunda filha dela com Ben Brookes, com quem já tinha Cordelia, que estava com 11 meses quando a gravidez foi descoberta.
Os primeiros sinais de que algo não estava bem surgiram poucos dias após o nascimento. Segundo a mãe, Magnolia começou a apresentar sonolência excessiva e dificuldade para acordar durante as mamadas. Inicialmente, os sintomas foram associados à alimentação e à perda de peso da recém-nascida.
Ao mesmo tempo, Meg desenvolveu feridas nos lábios e no interior da boca, acompanhadas de dor de garganta. Ao observar fotografias do parto, percebeu que já apresentava uma lesão labial naquele momento. “Tenho fotos minhas na piscina de parto com a lesão na boca, e ela parece muito recente naquele momento. Foi apenas nas 24 horas seguintes ao parto que meus sintomas se desenvolveram muito mais, no que agora acreditamos ter sido uma infecção primária por HSV”, relatou.
A infecção primária ocorre quando uma pessoa entra em contato com o vírus herpes simples pela primeira vez. Embora possa causar sintomas leves ou passar despercebida em adultos, a infecção pode provocar complicações graves em recém-nascidos.
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Meg afirmou que procurou orientação médica sobre as feridas, mas recebeu explicações relacionadas a alterações hormonais e à possibilidade de desidratação durante a amamentação.
A mãe também começou a sentir dores intensas no mamilo direito, o que dificultou a amamentação. Na época, acreditou que o desconforto havia sido provocado por um movimento acidental da filha mais velha. Posteriormente, passou a suspeitar que a lesão estivesse relacionada ao herpes.
De acordo com o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS), mulheres com lesões de herpes na região dos mamilos não devem amamentar com a mama afetada nem oferecer ao bebê leite extraído dela enquanto houver lesões.
Na sexta-feira, quando Magnolia tinha cinco dias, os pais perceberam que a menina demorava até meia hora para despertar e se alimentar. Durante a noite, também observaram alterações em sua respiração. Segundo Meg, essas preocupações foram comunicadas aos profissionais de saúde, mas a família recebeu orientações para continuar oferecendo leite à criança.
A situação se agravou na segunda-feira, quando a bebê completou oito dias. Magnolia apresentava a pele acinzentada, estava fria ao toque e tinha dificuldades para respirar. Os pais acionaram uma ambulância. “A temperatura dela estava em 34 graus. O oxigênio estava muito baixo. E ela tinha um choro muito agudo e muito fraco. A ambulância chegou e eles claramente perceberam como ela estava doente”, contou Meg.
A criança foi levada inicialmente a um hospital e, diante da gravidade do quadro, transferida para o Birmingham Children’s Hospital. Na unidade, um médico observou as lesões que ainda estavam presentes nos lábios da mãe e a equipe iniciou tratamento antiviral para herpes simples antes mesmo da confirmação dos exames.
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Apesar dos esforços médicos, Magnolia morreu na manhã de 11 de fevereiro, após desenvolver falência múltipla de órgãos. “Eles foram incríveis. Tentaram fazer tudo por ela, mas já era tarde demais”, afirmou Meg sobre os profissionais que atenderam a filha no hospital infantil.
Após a morte, Meg e Ben passaram a buscar orientação jurídica para apurar se houve oportunidades perdidas de identificar a infecção mais cedo. As possíveis falhas no atendimento ainda não foram estabelecidas. “Obviamente, sinto uma culpa insuportável, e acho que sempre sentirei, independentemente do resultado de qualquer possível processo judicial, mas tento me lembrar de que procurei ajuda. Fiz tudo o que podia com o conhecimento que tinha e, no fim das contas, confiamos nos profissionais”, declarou.
Meg decidiu compartilhar a história durante a Semana de Prevenção de Infecções, campanha da organização britânica The Lullaby Trust, que incentiva familiares e visitantes a respeitarem os cuidados estabelecidos pelos pais para proteger recém-nascidos.
Uma pesquisa divulgada pela entidade apontou que 57% dos pais e cuidadores britânicos entrevistados já tiveram um familiar que beijou seu bebê sem pedir permissão. Outros 46% relataram desconforto em solicitar que amigos e parentes lavassem as mãos antes de tocar ou segurar a criança.
Para Meg, a falta de informação sobre os riscos do herpes em recém-nascidos teve consequências irreversíveis para sua família. “Minha bebê morreu de HSV que veio de mim, mas poderia ter sido qualquer pessoa. Tudo se resume ao fato de que ninguém da nossa família ou dos nossos amigos sabia que uma ferida de herpes poderia matar um bebê, apesar de a maioria ter herpes labial regularmente”, disse. “Se eu soubesse que uma ferida de herpes poderia matar um bebê, minha filha ainda estaria aqui”, concluiu.












