As conversas do dia a dia podem estar desaparecendo aos poucos. Uma análise publicada na revista Perspectives on Psychological Science estimou que, entre 2005 e 2019, a quantidade de palavras faladas por dia caiu cerca de 28%. A redução média foi de 338 palavras por dia a cada ano, o equivalente a mais de 120 mil palavras a menos ao longo de 12 meses. Entre pessoas com menos de 25 anos, a queda anual foi 44% maior do que entre adultos mais velhos, em um período marcado pela expansão dos celulares, redes sociais e aplicativos de mensagens.
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Os pesquisadores não apontam uma causa definitiva para essa mudança, mas especialistas consideram possível relação com o avanço da comunicação digital. Conversar presencialmente exige uma combinação de habilidades: compreender o que está sendo dito, acompanhar o contexto, formular respostas e interpretar tom de voz, expressões e gestos. Segundo especialistas citados na reportagem, esse processo envolve linguagem, memória, atenção e funções executivas, fazendo da conversa uma atividade mais complexa para o cérebro do que pode parecer.
A preocupação também envolve a chamada reserva cognitiva, capacidade relacionada à manutenção das funções mentais diante do envelhecimento ou de determinadas alterações cerebrais. Ainda não existe evidência de que a redução atual das conversas esteja diminuindo essa reserva, mas especialistas ressaltam que ela é construída ao longo da vida. Além disso, menos interação social pode contribuir para o isolamento, associado a maior risco de ansiedade e depressão e, entre idosos, a declínio cognitivo e demências. Um relatório da Comissão Lancet de 2024 estimou que eliminar o isolamento social poderia, teoricamente, prevenir ou adiar 5% dos casos de demência.
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O efeito também pode aparecer nas próprias habilidades de comunicação. Vocabulário, fluência, construção de frases e capacidade de iniciar e manter uma conversa dependem de prática. Um estudo de 2020 com 18.905 crianças encontrou associação entre maior tempo de tela e menores habilidades de linguagem. Especialistas, porém, não defendem abandonar as redes sociais: a recomendação é equilibrar o uso das telas com interações presenciais e outros momentos de convivência, especialmente durante a infância e a juventude.














