Juros acompanham Treasuries e registram forte queda diante de possível cessar-fogo entre EUA e Irã

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Cédulas de R$ 100 ilustram o alívio nos juros futuros após notícia de cessar-fogo entre EUA e Irã (Foto: Instagram)

Em um pregão já favorável à renda fixa, os juros futuros ampliaram as perdas e atingiram mínimas intradia em todos os segmentos da curva a termo na reta final da sessão desta terça-feira (25). O movimento, em sintonia com o fechamento dos Treasuries, foi motivado por reportagem da agência russa RIA Novosti, que indicou acordo de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, incluindo livre navegação no estreito de Ormuz.

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Ao encerrar os negócios, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 recuou de 13,701% para 13,68%. O DI de janeiro de 2029 caiu de 14,174% para 14,055%, e o de janeiro de 2031 teve mínima intradiária de 14,285%, ante 14,421%. Sem indicadores econômicos relevantes no âmbito doméstico, o recuo maior acompanhou o bom desempenho dos Treasuries e o dólar comportado, mesmo diante de um leilão de títulos atrelados à inflação pelo Tesouro Nacional.

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O principal fator para a queda das curvas de juros, tanto brasileiras quanto americanas, foi a retração de cerca de 3% nos contratos futuros de petróleo. O Brent para novembro fechou a US$ 87,27 o barril, recuo de 3,6%, após Irã e Omã anunciarem a criação de um corredor marítimo conjunto e temporário no Estreito de Ormuz. Reportagem da Al Arabiya também trouxe a proposta dos EUA de suspender bloqueio e sanções contra o Irã em troca da reabertura do estreito e do fim dos ataques de aliados de Teerã.

Já no final da sessão eletrônica, a queda do petróleo acelerou para 5%, oferecendo alívio adicional à curva dos títulos norte-americanos e repercutindo positivamente nos ativos locais. “Hoje a queda do petróleo chamou atenção”, afirmou Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset, ressaltando que o movimento dá sustentação ao cenário implícito na curva de juros para a política monetária no curto prazo.

No fim da tarde, a curva indicava 88% de probabilidade de corte de 0,25 ponto percentual na reunião de setembro do Comitê de Política Monetária (Copom), patamar praticamente estável em relação a segunda-feira. A chance de nova redução em novembro subiu de 20% para 28%, mas continua minoritária.

Segundo Gustavo Danilo, analista de renda fixa da Manchester Investimentos, a oscilação dos DIs nesta terça reflete mais um ajuste global de mercados do que um movimento específico do Brasil. “Temos juros americanos em queda, petróleo recuando e moedas relativamente estáveis, o que permite algum desmonte de prêmio na curva doméstica. Sem grandes catalisadores locais, o mercado brasileiro segue esse ambiente externo mais benigno.”

Por aqui, o Tesouro realizou nesta terça-feira a segunda maior emissão de Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B) do ano, com volume de R$ 7,34 bilhões. Esse montante só ficou atrás dos R$ 8,7 bilhões captados em 3 de fevereiro, segundo cálculos de Sergio Goldenstein, sócio-fundador da Eytse Estratégia. Mesmo assim, a operação não teve impacto relevante na curva de juros.