
Liminar suspensa afasta Fernando Moredo da presidência do Grupo Trasmontano Saúde (Foto: Instagram)
A Justiça de São Paulo revogou nesta quinta-feira (20) a liminar que permitia o retorno de Fernando José Moredo, de 85 anos, à presidência do Grupo Trasmontano Saúde. O executivo havia sido afastado por uma comissão interna criada para apurar denúncias de má conduta, mas conseguiu autorização judicial para reassumir o cargo na terça-feira, 18 de junho. Dois dias depois, porém, juízes reconsideraram o entendimento ao receber novos depoimentos que apontam supostas tentativas de intimidação de funcionários envolvidos na investigação.
++ Elize Matsunaga: Carro do crime agora tem novo dono e acumula várias dívidas
Moredo é alvo de acusações feitas por pelo menos quatro colaboradoras que relatam episódios de assédio sexual, importunação sexual e manifestações de cunho racista em ambiente corporativo. Segundo as denúncias, a conduta inapropriada teria ocorrido de forma contínua e sistemática ao longo de vários anos de trabalho, em diferentes unidades da rede de saúde.
++ Fiji enfrenta surto acelerado de HIV impulsionado pelo uso de metanfetamina
Entre as práticas atribuídas ao presidente estão comentários de teor erótico em conversas informais nos corredores, insinuações repetidas sobre a vida íntima das funcionárias e tentativas de contato físico sem consentimento. Relatos também apontam que ele teria feito observações com conteúdo racista, usando estereótipos e piadas ofensivas, principalmente contra profissionais negras e negras.
Para se proteger das abordagens, várias trabalhadoras passaram a criar estratégias coletivas, conforme depoimentos. Segundo uma testemunha, elas interrompiam reuniões individuais para que ninguém ficasse a sós com o executivo e se revezavam para acompanhar aprendizes jovens, evitando que os estudantes ficassem desacompanhados durante eventos ou visitas às instalações do hospital.
As primeiras queixas começaram a ser formalizadas no fim de maio. A comissão interna registrou ao menos quatro depoimentos que fundamentaram uma notícia-crime encaminhada ao Ministério Público de São Paulo. Documentos revelam que as funcionárias relataram episódios ocorridos em diferentes setores, incluindo o Hospital Igesp e unidades de pronto atendimento vinculadas ao grupo.
A defesa de Fernando José Moredo, conduzida pelo advogado Miguel Silva, nega veementemente todas as acusações e sustenta que as alegações fazem parte de um complô articulado para afastá-lo da presidência. O advogado questiona a imparcialidade da comissão interna e diz que vai protocolar recurso na esfera judicial para reverter o afastamento.
Há quase 30 anos à frente do Grupo Trasmontano Saúde, Moredo liderou a expansão de uma rede que engloba o Hospital Igesp, diversas unidades de pronto-socorro, um plano de saúde e uma instituição de ensino médico. O caso segue em investigação, com o Ministério Público analisando as provas para decidir sobre eventual oferecimento de denúncia.






