Ibovespa cai na semana, mas registra melhor pregão desde 30/7 com apoio externo e eleições

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Ibovespa tem melhor desempenho desde julho e fecha em alta de 1,85% (Foto: Instagram)

A forte busca por ativos de maior risco em todo o mundo impulsionou o Ibovespa a superar as altas tímidas acumuladas na semana e registrar nesta sexta-feira (21) o seu melhor desempenho desde 30 de julho, quando havia subido 1,88%. O principal índice da B3 encerrou o pregão em alta de 1,85%, aos 171.031,73 pontos, com destaque para o setor bancário, que liderou os ganhos diante do clima mais otimista entre investidores.

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Na cena internacional, o apetite por ativos de risco refletiu-se também em outros mercados emergentes. O EEM (iShares MSCI Emerging Markets), maior ETF ligado a empresas de países emergentes, avançou 0,74% ao fim das negociações em Nova York. Ainda assim, o Ibovespa registrou sua terceira semana seguida no vermelho, com recuo acumulado de 0,86% no período, e acumula baixa de 3,91% no mês.

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Embora o índice não tenha alcançado as máximas próximas aos 172 mil pontos, o movimento de valorização foi apoiado por fatores domésticos e externos. Enquanto os rendimentos dos Treasuries americanos subiram, a queda dos juros locais manteve a bolsa em patamar confortável. Segundo Bruna Centeno, economista, sócia e advisor da Blue3 Investimentos, “é um conjunto de fatores, uma pressão menor das taxas dos títulos dos EUA, que melhora a perspectiva em relação a uma nova onda de alta de juros na próxima reunião do Fed, e essa dinâmica para cá, que alivia a pressão porque a bolsa depende do estrangeiro e do fluxo global”. Além disso, o anúncio de recompra de títulos pelo Tesouro dos EUA elevou a liquidez global no curto prazo, ampliando o otimismo.

O cenário político também ganhou relevância nesta sexta. Após o fechamento do mercado, está prevista a divulgação da pesquisa Datafolha, que trará os números mais recentes sobre a disputa entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Lula (PT). As intenções de voto atualizadas devem ser lidas com atenção pelos investidores, já que cada movimento na corrida eleitoral tende a influenciar diretamente o sentimento no mercado financeiro.

Operadores de mercado ressaltam que o acirramento da disputa entre as duas principais chapas pode ser percebido como fator positivo diante da expectativa de maior alinhamento de candidaturas de direita com pautas de responsabilidade fiscal e controle de gastos públicos. A percepção de compromisso com o ajuste das contas públicas costuma reduzir riscos fiscais e fortalecer a confiança de investidores.

Para Bruno Perri, economista-chefe e fundador da Forum Investimentos, pesquisas que apontam empate técnico ou crescimento na competitividade de Flávio Bolsonaro no segundo turno contribuem para a valorização de ativos locais. “Maiores chances de vitória da oposição no segundo turno tendem a reduzir o dólar e provocar o fechamento das curvas de juros. O mercado segue bastante sensível ao quadro fiscal, que, por sua vez, é uma derivada direta do desfecho eleitoral”, afirma.