
Cédulas de real em meio à alta dos DI futuros e pressão cambial (Foto: Instagram)
Futuros de Depósito Interfinanceiro (DI) no Brasil subiram pelo quinto pregão consecutivo, acumulando cerca de 30 pontos-base de ágio no meio da curva e aproximadamente 40 pontos no vértice longo ao longo da semana. Esse movimento ocorre em meio ao rebaixamento do rating do país pelo JPMorgan, sondagens que indicam vantagem de Luiz Inácio Lula da Silva nas próximas eleições e novos atritos na relação comercial entre Brasil e Estados Unidos. Essa alta também reflete a cautela dos investidores quanto ao compromisso fiscal do governo.
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Na sexta-feira (14), o cenário externo pressionou ainda mais as taxas, com abertura dos rendimentos dos Treasuries nos Estados Unidos e alta no preço do petróleo — fatores que costumam puxar a inflação global. Paralelamente, as negociações entre Washington e Teerã para a reabertura do Estreito de Ormuz permanecem estagnadas, gerando incertezas nos mercados.
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No mercado doméstico, o DI com vencimento em janeiro de 2027 fechou a 13,765%, ante 13,746% na quinta-feira (13). O DI para janeiro de 2029 subiu para 14,33%, contra 14,25% no ajuste anterior, enquanto o contrato de janeiro de 2031 avançou a 14,59%, ante 14,51% no pregão anterior.
De acordo com Igor Campos, gestor de renda fixa da Armor Capital, a semana foi marcada por significativa retirada de recursos estrangeiros, refletindo preocupações sobre a sustentabilidade das contas públicas e o risco de maior gasto fiscal no próximo mandato. Os reflexos dessa saída de capital foram percebidos na queda da Bolsa, na alta do câmbio e no acréscimo de prêmio na curva de juros.
Dados da B3 indicam que, até a sessão de quarta-feira (12), investidores estrangeiros retiraram R$ 13,561 bilhões em agosto, o que contribuiu para uma perda de 3,23% do Ibovespa na semana. Em paralelo, o dólar valorizou-se 2,68%, encerrando a R$ 5,2199, em um movimento que incorpora o cenário eleitoral, os riscos fiscais domésticos e o início do processo de reciprocidade com os Estados Unidos.
O operador sênior Fernando Cesar, da AGK Corretora, destaca que, na véspera do fim de semana, o mercado tende a assumir posição comprada em dólar, o que pressiona a moeda americana e puxa para cima as taxas de juros. “O mercado vira tomador, dólar sobe e puxa os juros”, explicou no período de maior volatilidade.
Julia Thomson, analista da Eurasia, avalia que a iniciativa do governo Lula de ativar a Lei de Reciprocidade tem objetivo de forçar negociações com os Estados Unidos e equilibrar diferenças na balança comercial, mas dificilmente resultará em sanções contra Washington antes das eleições americanas de 2026 ou até o fim de 2025.
A campanha eleitoral oficial começa no domingo (09), dando início à reta final do processo. Os candidatos mais bem colocados nos levantamentos — Luiz Inácio Lula da Silva em São Bernardo do Campo (SP), Flávio Bolsonaro no Rio de Janeiro (RJ), Ronaldo Caiado em Goiás e Romeu Zema em Minas Gerais — realizam cerimônias de lançamento em seus redutos. Na segunda-feira (10), o vencimento de mais de R$ 240 bilhões em NTN-B para 2026 — o maior patamar desde 2010 — pode levar o Tesouro Nacional a emitir títulos mais curtos para garantir liquidez ao mercado, diante de uma taxa média de cinco anos em nível recorde.






