
MC Ryan SP e MC Poze do Rodo deixam prisão preventiva após decisão do TRF-3 (Foto: Instagram)
A Justiça Federal determinou nesta quarta-feira (13) a libertação dos funkeiros MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, que vinham cumprindo prisão preventiva na Operação Narco Fluxo. A ação investiga um suposto esquema bilionário de lavagem de dinheiro vinculado a apostas ilegais, rifas clandestinas e tráfico internacional de drogas. A decisão foi tomada pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), que considerou excessivo o período de custódia sem denúncia formal do Ministério Público Federal.
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A relatora do caso, desembargadora Louise Filgueiras, acolheu habeas corpus concedido anteriormente a outro investigado. Ela apontou que manter a detenção além do prazo razoável, sem apresentar provas concretas para embasar a acusação, seria incompatível com garantias constitucionais. Dessa forma, os efeitos desse habeas corpus foram estendidos a Ryan SP e Poze do Rodo, o que resultou na revogação imediata das prisões preventivas que pesavam contra eles.
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Apesar de deixarem a prisão, os músicos ficarão submetidos a severas medidas cautelares. Entre elas, a entrega imediata dos passaportes à Justiça, proibição de sair do país sob qualquer circunstância e obrigação de comparecer mensalmente em juízo para informar sobre suas atividades. Além disso, devem comunicar previamente qualquer mudança de endereço e não podem se ausentar de seus municípios por mais de cinco dias sem autorização judicial.
O advogado de MC Poze do Rodo, Fernando Henrique Cardoso, saudou a decisão do TRF-3 como justa e necessária. Em entrevista, ele afirmou que o pedido de extensão do habeas corpus foi fundamentado no conhecimento do estágio das investigações e na ausência de qualquer indício de periculosidade ou risco de fuga. Cardoso destacou ainda que espera a libertação definitiva de seu cliente, identificado nos autos como Marlon Brendon, considerando a permanência na cadeia “desproporcional”.
A Operação Narco Fluxo, conduzida pela Polícia Federal, investiga movimentações financeiras estimadas em cerca de R$ 1,6 bilhão. De acordo com o inquérito, MC Ryan SP teria atuado como um dos líderes do esquema de lavagem, organizando uma estrutura de blindagem patrimonial que incluía a transferência de cotas de suas empresas para familiares e operadores financeiros. O grupo utilizava transferências fracionadas para burlar o rastreamento do Banco Central e reinseria valores no mercado por meio da compra de imóveis, veículos de luxo e joias.
A acusação também aponta que os recursos repassados a MC Poze do Rodo eram canalizados por meio de editoras e gravadoras, utilizadas para mascarar a entrada de dinheiro oriundo de rifas digitais e apostas ilegais. Raphael Sousa Oliveira, proprietário da página “Choquei”, é apontado como operador de mídia da organização, encarregado de promover as plataformas de apostas e gerenciar crises de imagem, recebendo pagamentos diretamente do núcleo financeiro. A PF encontrou no backup do iCloud de Rodrigo de Paula Morgado registros societários, contratos e comprovantes que dariam suporte ao esquema.
A Polícia Federal prossegue na análise de computadores, smartphones e documentos apreendidos para identificar outros envolvidos e eventual participação de pessoas jurídicas. As defesas de Ryan SP e de Raphael Oliveira questionam a falta de provas individualizadas contra seus clientes, sustentando que as transações questionadas decorrem exclusivamente das atividades musicais e empresariais dos artistas. Agora, ambos aguardam os desdobramentos do processo, seguindo em liberdade com as restrições impostas pela Justiça.

