
Virginia Fonseca se torna figura central em novelinhas de IA nas redes sociais (Foto: Instagram)
Virginia Fonseca, após deixar o comando do “Sabadou” no SBT, passou a encabeçar um novo fenômeno que mistura influenciadora e inteligência artificial. As chamadas “novelinhas de IA” utilizam sua imagem e a de familiares para produzir enredos ficcionais com tom realista, atraindo milhões de visualizações nas redes sociais. Esse formato, além de gerar repercussão, suscita discussões sobre os limites éticos na criação de narrativas digitais e o uso indevido de tecnologias.
++ Gretchen se revolta após crítica de médico e rebate: “Só quem me para é Deus”
A estratégia digital baseia-se em vídeos curtos em que a rotina de Virginia se transforma em trama, com falas e situações completamente elaboradas por sistemas de IA. Esses criadores extraem fotos e imagens públicas para treinar algoritmos capazes de reproduzir trejeitos, expressões e até supostas falas da influenciadora. A novelinha acontece fora dos estúdios, em um ambiente virtual, mas se espalha por diferentes plataformas, reforçando a ilusão de realismo.
++ Ratinho se pronuncia após processo movido por Chico Buarque
Nos episódios, é comum mesclar fatos reais da vida de Virginia com passagens totalmente inventadas, incluindo personagens que seriam parentes ou convidados especiais. A combinação de elementos do cotidiano com cenas inusitadas, como romances secretos ou crises familiares, acaba prendendo a atenção de uma audiência jovem e engajada, enquanto alimenta debates sobre desinformação e fragilidade das fronteiras entre o real e o digital.
Com o avanço de modelos de geração de imagem e fala, perfis dedicados ao projeto conseguem criar sequências cada vez mais convincentes. Os produtores apostam em roteiros curtos, enredos com reviravoltas e cliffhangers semanais, replicando a dinâmica das novelas tradicionais. Esses vídeos curtos retêm o público por meio de dramas cotidianos e situações rocambolescas, garantindo repetidas visualizações e compartilhamentos em alta velocidade.
Por trás da novelinha, há estratégias sofisticadas para driblar os mecanismos de moderação das plataformas. Segundo Thiago Costa, pesquisador do Laboratório CultPop da Universidade Federal Fluminense (UFF), os responsáveis omitem legendas, metadados e palavras-chave que poderiam disparar alertas dos sistemas automáticos. Essa técnica dificulta a detecção de possíveis infrações de direitos autorais e violações de políticas de conteúdo.
Em entrevista ao Metrópoles, Thiago explicou que a omissão de informações contextuais impede a análise precisa das ferramentas de vigilância digital, criando um embate constante entre criadores e plataformas. Enquanto as empresas trabalham para aprimorar algoritmos de identificação e remoção de vídeos indevidos, os produtores de IA desenvolvem métodos para manter o material no ar e ampliar seu alcance, evidenciando uma guerra silenciosa pelo controle da narrativa online.
A assessoria de Virginia Fonseca informou que a equipe jurídica monitora cuidadosamente esses conteúdos e age sempre que identifica qualquer uso indevido de imagem ou marca registrada. Por ora, preferem não se manifestar publicamente sobre o teor das novelinhas, adotando uma postura reservada e buscando soluções por vias legais e administrativas.

