
Fachada do Instituto Butantan, em São Paulo, onde será produzida a versão nacional do pembrolizumabe em parceria com a MSD. (Foto: Instagram)
O Instituto Butantan firmou parceria estratégica com a MSD para produzir no Brasil o pembrolizumabe, um medicamento avançado contra o câncer, destinado aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). O acordo, resultante de um edital público lançado pelo Ministério da Saúde em 2024, marca o ingresso do Butantan na área de imunoterapia oncológica, até então dominada por grandes laboratórios internacionais.
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O pembrolizumabe é um anticorpo monoclonal que bloqueia o receptor PD-1, liberando o sistema imunológico para atacar células tumorais. Reconhecido por apresentar toxicidade inferior à quimioterapia convencional, o medicamento já está disponível no SUS especialmente para casos de melanoma metastático. Segundo a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde, cerca de 1,7 mil pacientes recebem o tratamento anualmente, com custo aproximado de R$ 400 milhões aos cofres públicos.
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A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias em Saúde (Conitec) avalia atualmente a expansão das indicações do pembrolizumabe para outros tipos de câncer, como de colo de útero, esôfago, mama triplo-negativo e pulmão. Caso a autorização seja concedida, a estimativa é de que o número de beneficiados salte para cerca de 13 mil pacientes por ano, ampliando de forma expressiva o acesso à terapia imunológica no sistema público.
Um dos principais objetivos do acordo é a transferência gradual de tecnologia, etapa que permitirá ao Instituto Butantan produzir o medicamento internamente nos próximos anos. O processo envolverá desde o domínio de protocolos de biossíntese até o controle de qualidade e padronização de lotes, com a meta de reduzir custos, fortalecer a autonomia nacional e mitigar riscos de desabastecimento causados por instabilidades na cadeia global.
A secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde, Fernanda De Negri, celebrou a colaboração como um marco para o setor. “O objetivo dessa parceria é uma molécula nova, e o Butantan vai desenvolver a capacidade de produzir esta molécula e acima de tudo desenvolver a competência para produzir outras moléculas similares no futuro.” Ela acrescentou que o know-how adquirido pode ser aplicado em projetos de outras doenças crônicas e infecções.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, também saudou a iniciativa, ressaltando a importância da cooperação internacional. “Não tem como enfrentar esses desafios sem forte cooperação internacional. A saúde deixou de ser apenas uma política social e passou também a ser um eixo central do desenvolvimento econômico, inovação tecnológica e geração de empregos qualificados.” Para Padilha, a produção de imunoterápicos no país reforça a segurança sanitária e estimula a pesquisa científica.
O cronograma de implementação prevê treinamentos de equipes técnicas, adequação das instalações de biotecnologia do Instituto Butantan e etapas de certificação pela Anvisa. A expectativa é que as primeiras doses produzidas internamente cheguem ao SUS em até três anos, um marco que poderá impulsionar novas parcerias com outras farmacêuticas de alcance global.

