
Daniel Vorcaro no centro da disputa entre PF e PGR pela delação premiada (Foto: Instagram)
A negociação da delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no âmbito do Caso Master, transformou-se em um embate entre a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR). Nos bastidores, a tensão decorre da disputa pelo protagonismo na condução do acordo, com o Supremo Tribunal Federal (STF) apontando preferência pela participação da PF. A controvérsia reflete desconfianças institucionais que podem envolver nomes de destaque no meio político e jurídico.
++ Gretchen se revolta após crítica de médico e rebate: “Só quem me para é Deus”
Ambas as instituições já firmaram termos de confidencialidade com o banqueiro, segundo apuração do Metrópoles. No entanto, apenas uma delas deverá assumir o controle definitivo da colaboração premiada, elevando a disputa a um nível de articulação que envolve até a transferência de custódia de Vorcaro. As tratativas têm sido guiadas por análises sobre autonomia investigativa e garantias de sigilo.
++ Ratinho se pronuncia após processo movido por Chico Buarque
No STF, o ministro André Mendonça, relator do Caso Master, sinalizou que prefere que a Polícia Federal conduza a delação. A justificativa do gabinete é a maior afinidade com os agentes que trabalham diretamente nas apurações, o que, segundo interlocutores, garantiria celeridade e independência ao processo de colaboração.
A desconfiança em relação à PGR também pesa na balança. Há receio nos meios da PF e no próprio STF de que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, mantenha vínculos com ministros citados nas investigações contra o Banco Master. Esse clima de suspeição alimenta o temor de que o teor da delação seja atenuado para proteger determinados envolvidos.
O ambiente de contestação ganhou força após a recusa da PGR em janeiro a uma proposta de delação do empresário Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”. Ele oferecia detalhes de um suposto esquema de fraudes no setor de combustíveis que poderia implicar integrantes do Centrão e até membros do Judiciário, mas viu sua colaboração ser rejeitada pela Procuradoria.
Na quinta-feira (19), Daniel Vorcaro foi transferido da Penitenciária Federal de Brasília para a superintendência da Polícia Federal local. A movimentação integra as negociações para viabilizar a delação premiada e, de acordo com fontes, decorre de alinhamentos feitos junto ao gabinete de André Mendonça.
O relator do caso deixou claro à defesa de Vorcaro que aceitará somente uma delação completa, sem omissão de nomes ou fatos, abrangendo figuras de alto escalão. Essa exigência reforça a complexidade das tratativas e mantém acesa a disputa entre os órgãos sobre quem terá o controle final da colaboração.

