PF faz varredura em fundo previdenciário de Maceió e investiga aporte de R$ 97 milhões no Banco Master

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Operação Compliance 82: PF faz buscas em apuração de R$ 97 mi do RPPS de Maceió (Foto: Instagram)

A Polícia Federal cumpriu na segunda-feira, 10 de agosto, oito mandados de busca e apreensão relacionados ao investimento de R$ 97 milhões do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) de Maceió em letras financeiras emitidas pelo Banco Master. A operação mira esclarecer todo o processo de credenciamento, cotação, análise de risco, governança e decisão que resultou nas aplicações.
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A investigação, batizada de Operação Compliance 82, apura dois aportes feitos em 2023 e 2024, que totalizam R$ 97 milhões direcionados ao banco controlado por Daniel Vorcaro. Segundo a PF, o objetivo é entender se houve falhas ou irregularidades nas etapas que antecederam o investimento, desde a escolha da instituição até a formalização do negócio.
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Os mandados foram cumpridos em Alagoas e em São Paulo, a partir de autorização do ministro André Mendonça, relator da Operação Compliance Zero no Supremo Tribunal Federal. Entre os locais vasculhados estão endereços ligados a servidores públicos e consultorias que assessoraram o Maceió Previdência.

Entre os investigados estão Ronnie Reyner Teixeira Mota, então diretor-presidente do Maceió Previdência; Gustavo Antônio Rodrigues de Souza, que atuava como coordenador-geral de Investimentos; e Renan Foglia Calamia, consultor da Crédito & Mercado que teria influenciado na elaboração de análises e na documentação dos aportes. Também figuram na lista Marília Alexandre de Lima Alves, do núcleo de governança e vinculada à Secretaria Municipal da Fazenda; Marcelo Brasileiro Santos, membro do Comitê de Investimentos; e João Felipe Alves Borges, ex-conselheiro de Administração do fundo e atual secretário da Fazenda de Maceió.

Em nota, o Maceió Previdência afirma que vem cooperando integralmente com as autoridades, fornecendo documentos e esclarecimentos desde o início das diligências. A reportagem procurou a defesa dos citados, mas até o fechamento não havia obtido resposta.

Documentos obtidos pelo jornal Estadão mostram que a política de investimentos que autorizou o aporte de R$ 97 milhões no Banco Master foi aprovada em reunião do Conselho de Administração realizada em 27 de dezembro de 2023, entre Natal e Ano Novo. Na ocasião, seis dos nove conselheiros participaram — abaixo do quórum mínimo exigido, de sete presentes — e apenas quatro assinaram a ata de aprovação.

Conforme o Maceió Previdência, os investimentos no Master contribuíram para a valorização do patrimônio do fundo, que saltou de cerca de R$ 400 milhões em 2021 para mais de R$ 1,6 bilhão atualmente. A ofensiva desta segunda é ao menos a quinta operação da PF a investigar fundos públicos que aplicaram recursos em Letras Financeiras do Banco Master, incluindo alvos como Rioprevidência e Amapá Previdência (Amprev).