
Roberto Bete e o filho Noah em momento de cumplicidade (Foto: Instagram)
O influenciador digital Roberto Bete compartilhou como foi descobrir, já no terceiro mês de gestação, que seria pai de Noah, hoje com quatro anos. Ele explica os desafios físicos e emocionais vivenciados durante a gravidez, relata episódios de transfobia e descreve a mudança de carreira que adotou para priorizar a criação do filho.
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Tudo começou quando uma vontade inesperada de comer conservas chamou sua atenção. Apesar da insistência da então companheira Érica para que fizesse um teste de gravidez, Roberto levou dias para acreditar na possibilidade. Quando enfim realizou o exame, o resultado positivo o surpreendeu e redirecionou completamente seus planos pessoais e profissionais.
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Após o teste de farmácia, um exame de sangue confirmou a gestação, e, numa ultrassonografia, ele pôde ouvir o batimento cardíaco de Noah pela primeira vez — um dos momentos mais marcantes de sua vida. Para Roberto, que sempre sonhou em ser pai presente desde a infância, aquele som trouxe segurança e renovou sua determinação.
Antes de engravidar, Roberto acreditava que só seria pai por meio de inseminação artificial, especialmente depois de iniciar sua transição de gênero. Ao conhecer relatos de outros homens trans grávidos, ele e Érica decidiram interromper o tratamento hormonal e tentar conceber. A decisão, segundo ele, foi tomada de maneira consciente e planejada.
Durante a gestação, vieram não apenas as mudanças no corpo, mas também desconfortos ligados à disforia de gênero, inseguranças e dúvidas sobre o futuro. Em um atendimento em hospital público, Roberto enfrentou um episódio explícito de transfobia, mas ressalta que o acompanhamento pré-natal foi acolhedor na maior parte do tempo. A vivência na gravidez ainda o fez repensar conceitos de masculinidade e paternidade.
Pouco antes do nascimento de Noah, o casal participou de uma campanha internacional da Calvin Klein, o que ampliou sua visibilidade nas redes sociais. O reconhecimento trouxe novos seguidores, mas também intensificou ataques transfóbicos. Após o parto, Roberto deixou o negócio de hamburgueria que administrava para dedicar-se integralmente ao filho e à produção de conteúdo digital.
Hoje, mesmo separado de Érica, ele adota um regime de guarda compartilhada alternada, sempre com Noah como prioridade. As rotinas são organizadas com passeios, brincadeiras, viagens e atividades em família, garantindo um ambiente amoroso e estável.
Nas redes sociais, Roberto continua dividindo reflexões sobre a paternidade e sua jornada como homem trans. Apesar de ainda enfrentar comentários preconceituosos, ele prefere valorizar as mensagens de apoio que recebe diariamente. A principal lição que carrega é que o exemplo vivido em casa tem mais força do que qualquer discurso.






