
Comandante houthi Sayyid Abdul-Malik al-Houthi discursa em Sanaa, 5 de junho de 2024. (Foto: Instagram)
Nesta quarta-feira (5), Sayyid Abdul-Malik al-Houthi, comandante máximo dos rebeldes houthis, declarou em entrevista à agência iraniana Tasnim que o movimento está se organizando para um conflito de grandes proporções contra a Arábia Saudita. Segundo ele, o anúncio ocorre em retaliação ao bloqueio naval imposto por Riad aos portos iemenitas no Mar Vermelho, bem como ao recente ataque ao Aeroporto Internacional de Sanaa, na capital do Iêmen. Al-Houthi afirmou que uma mobilização geral já está em curso, com unidades sendo deslocadas para as principais frentes de combate.
++ Elize Matsunaga: Carro do crime agora tem novo dono e acumula várias dívidas
Na tarde desta quarta, os houthis anunciaram a realização de mais um ataque contra uma embarcação saudita nas proximidades do Golfo de Áden, região estratégica para o tráfego de petróleo. No início do dia, o grupo também disparou mísseis balísticos em direção ao petroleiro Wafa, de bandeira saudita, nas águas do Mar Vermelho. Ambos os episódios reforçam a escalada de confrontos entre as forças iemenitas e o Reino Saudita, que tenta coibir as ações dos insurgentes.
++ Fiji enfrenta surto acelerado de HIV impulsionado pelo uso de metanfetamina
Abdulaziz bin Habtoor, membro do Conselho Político Supremo do Iêmen, comentou que as ações militares das Forças Armadas do país evidenciam a ineficácia do cerco saudita e das tentativas de navegadores iemenitas buscarem rotas alternativas. Em entrevista à Tasnim, ele afirmou que “o ataque ao navio ao norte de Yanbu tem uma mensagem clara: não se pode contornar a equação cerco por cerco”. Para bin Habtoor, nenhuma rota será considerada segura enquanto Riad mantiver suas restrições.
O general Yahya Sare, porta-voz militar dos houthis, reforçou as ameaças ao Reino Saudita ao declarar que as forças do movimento monitoram “meticulosamente” petroleiros e demais navios de origem saudita. Segundo ele, nenhuma embarcação daquele país conseguirá transitar pelo Mar Vermelho enquanto as exigências dos insurgentes não forem atendidas, em um claro recado de que os combates poderão se estender e se intensificar caso Riad não reveja sua postura em relação ao Iêmen.
No plano diplomático, a agência de notícias estatal do Iraque (INA) informou que o ministro das Relações Exteriores iraquiano reuniu-se com seu homólogo saudita em Riad para discutir os preparativos de uma missão de segurança do Iraque ao Reino Árabe. O diálogo entre os dois governos faz parte de um esforço regional para reduzir as tensões e buscar soluções negociadas para o conflito iemenita e seus desdobramentos no corredor marítimo do Mar Vermelho.
Também nesta quarta, a Arábia Saudita participou de uma cúpula quadrilateral ao lado de Paquistão, Egito e Turquia, realizada com o objetivo de encontrar alternativas para a atual crise de segurança no Oriente Médio e viabilizar a retomada de rotas estratégicas, como o Estreito de Ormuz. De acordo com a emissora estatal iraniana IRIB, os líderes desses países declararam apoio às iniciativas diplomáticas conduzidas pelo Paquistão e pelo Catar, que buscam reduzir riscos de novos conflitos na região.






