
Torcida do Flamengo agita bandeiras rubro-negras no estádio. (Foto: Instagram)
A Justiça do Rio de Janeiro publicou nesta quarta-feira (05) a sentença do recurso interposto pelo Flamengo, que buscava anular a entrega da Taça das Bolinhas ao São Paulo. A decisão manteve de forma definitiva a atribuição do título de campeão brasileiro de 1987 ao Sport Club do Recife e rejeitou a pretensão do clube carioca.
++ Elize Matsunaga: Carro do crime agora tem novo dono e acumula várias dívidas
No voto, a corte ressaltou que o recurso fere o princípio da coisa julgada, já que o tema foi analisado e encerrado em instâncias superiores, incluindo o STF. Com base nisso, o Tribunal entendeu que não cabe rediscussão e indeferiu o agravo do Flamengo, assegurando a estabilidade dos resultados esportivos e evitando novas contestações sobre fatos juridicamente consolidados.
++ Fiji enfrenta surto acelerado de HIV impulsionado pelo uso de metanfetamina
Caso o Flamengo obtivesse o reconhecimento oficial do título de 1987, o clube teria alcançado a marca de pentacampeão nacional em 1992, sendo o primeiro a atingir cinco títulos nessa época. Com a negativa do recurso, porém, a honra segue com o São Paulo, que ergueu seu quinto troféu brasileiro em 2007 e permanece detentor da Taça das Bolinhas.
O Flamengo foi procurado pelo Estadão para comentar o resultado judicial, mas não apresentou manifestação até a publicação desta matéria. Também não há sinalizações de que o São Paulo planeje qualquer ação para reivindicar a taça após o deslinde da disputa. Enquanto o impasse jurídico não se encerra por completo, a Taça das Bolinhas permanece sob guarda da Caixa Econômica Federal.
A controvérsia sobre o título de 1987 começou em 7 de fevereiro de 1988, quando o Sport venceu o Guarani por 1 a 0 na Ilha do Retiro, sacramentando-se campeão. Em meio às definições da CBF e do STJD, torcedores de Flamengo e Sport até hoje discutem a quem pertence a taça, que atualmente integra o acervo do museu rubro-negro em Recife.
Na competição de 1987, o regulamento previa que os primeiros colocados dos Módulos Verde e Amarelo disputassem um quadrangular final. O Módulo Verde, apelidado de Copa União, foi organizado principalmente pelos clubes do Club dos 13 e era considerado por muitos o verdadeiro Campeonato Brasileiro. Internacional e Flamengo decidiram este módulo, mas se recusaram a disputar a fase seguinte, criando um dos maiores embates da história do futebol nacional.
No Módulo Amarelo, a CBF estipulou que Guarani e Sport se enfrentassem no quadrangular. Após um empate por 11 a 11 nos pênaltis, as equipes acordaram um jogo decisivo em 7 de fevereiro de 1988, quando o zagueiro Marco Antônio balançou as redes e garantiu o título ao Sport. A CBF reconheceu o êxito do time pernambucano e publicou a conquista oficialmente.
Em 1994, a Justiça ratificou a vitória do Sport. Em 2011, a CBF chegou a declarar Flamengo e Sport como campeões conjuntos, mas no campo judicial o clube pernambucano sempre figurou como o único vencedor legítimo. Em abril de 2017, a Primeira Turma do STF, sob relatoria do ministro Marco Aurélio Mello e com votos de Alexandre de Moraes, rejeitou definitivamente o pleito do Flamengo.






