Bebê morre aos 4 meses após diagnóstico de câncer raro e mãe transforma luto em projeto de apoio a famílias

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Janete Bezerra, de 32 anos, perdeu o primeiro filho, Matheus Filho, aos 4 meses e 20 dias de vida, em maio de 2025, após o bebê desenvolver um câncer raro no fígado. Moradora de Manaus, no Amazonas, ela enfrentou semanas de internação sem que os médicos conseguissem identificar a doença. O diagnóstico só foi confirmado após a morte da criança. Dois meses depois, Janete criou um podcast para compartilhar sua experiência e acolher outras famílias que enfrentam o luto ou convivem com diagnósticos graves.

Os primeiros sinais surgiram no final de abril de 2025, quando Matheus tinha aproximadamente três meses e meio. Janete percebeu que o filho estava mais pálido e dormia com maior frequência, mas inicialmente associou as mudanças ao desenvolvimento do bebê. Como ele continuava mamando e sorrindo, não imaginou que pudesse estar doente. “Ele seguia mamando e sorrindo. Na consulta de rotina com o pediatra, estava tudo bem. Eu não imaginava que aqueles sinais pudessem estar relacionados a uma doença tão grave”, contou.

A preocupação aumentou durante a consulta para a vacinação dos quatro meses, quando o marido de Janete observou que o menino estava muito pálido e com a pele amarelada. Após receber uma fotografia da criança, o pediatra orientou a família a procurar atendimento hospitalar.

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Matheus permaneceu dez dias internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em Manaus. Inicialmente, os médicos investigaram a possibilidade de anemia hemolítica autoimune e, posteriormente, de leucemia. Durante esse período, ele apresentou um sangramento no fígado e precisou passar por uma cirurgia.

Sem um diagnóstico definido, a família foi encaminhada ao Hospital de Amor, em Barretos, no interior de São Paulo, onde o bebê ficou internado por mais cinco dias. Nos últimos dias, Matheus conseguiu mamar, sorrir e interagir com os pais, sem depender de aparelhos. “Como alguns exames não eram realizados aos fins de semana, aproveitamos para ficar unidos. Ainda bem que tivemos essa oportunidade. Sou muito grata por aqueles dias que vivemos”, relatou Janete.

O menino morreu às 5h50 do dia 27 de maio de 2025. Uma semana depois, o resultado da biópsia revelou que ele tinha um tumor rabdoide maligno extrarrenal no fígado, um tipo de câncer raro e agressivo. “Eu pensava que o pior já tinha passado. Na minha cabeça, o pior cenário era a leucemia. Não imaginava que existisse um tumor tão raro como o que descobrimos depois”, afirmou.

Em julho daquele ano, Janete fundou o podcast Mais Que Especiais, com o objetivo de compartilhar histórias de famílias que enfrentam situações semelhantes. “Eu queria continuar contando a história dele e acolher outras famílias. Aos poucos, o podcast se tornou um projeto que dá voz a quem vive o luto ou enfrenta um diagnóstico difícil”.

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A iniciativa também deu origem a outras ações. Em setembro de 2026, durante a campanha Setembro Dourado, Janete produziu, em parceria com o Grupo de Apoio à Criança e ao Adolescente com Câncer (GACC Amazonas), uma cartilha gratuita sobre sinais de alerta do câncer infantojuvenil. O marido homenageou o filho com o livro Matheus Filho: Uma História de Amor, Força e Fé, cuja renda é destinada ao Hospital de Amor.

Quatro meses após a perda, em setembro de 2025, Janete descobriu que estava grávida novamente. Lucas nasceu em 26 de maio de 2026, exatamente um dia antes de completar um ano da morte do irmão. “Lucas significa ‘aquele que traz luz’, e é isso que ele tem sido nas nossas vidas. Ele é nosso bebê arco-íris, como são chamados os bebês que nascem depois da perda de um filho. Trouxe vida aos nossos dias. Eu realmente não sei como seria hoje sem ele”, contou.

Agora, ao acompanhar o crescimento do caçula, Janete também mantém viva a memória de Matheus. “Um filho que chega não apaga a saudade do outro. Sou mãe dos dois”, concluiu.