Falta de dinheiro pode prejudicar o funcionamento do cérebro e afetar desempenho cognitivo, aponta estudo

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As dificuldades financeiras podem comprometer a concentração e o desempenho em atividades que exigem raciocínio e tomada de decisões. É o que aponta um estudo publicado em 2013 na revista científica Science, desenvolvido por pesquisadores ligados a universidades como Harvard e Princeton. Segundo a pesquisa, a preocupação com a falta de dinheiro pode consumir recursos mentais e provocar uma queda temporária no desempenho cognitivo, comparável a uma diferença de até 13 pontos em testes de QI.

O resultado não significa que pessoas com dificuldades financeiras tenham menos inteligência. A comparação representa o efeito observado em determinadas avaliações cognitivas quando os participantes precisavam lidar com preocupações relacionadas ao dinheiro.

Para investigar essa relação, os pesquisadores realizaram experimentos com pessoas de diferentes condições econômicas. Os resultados mostraram que participantes de menor renda apresentavam pior desempenho em testes de raciocínio quando eram levados a pensar em problemas financeiros de maior gravidade.

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O estudo também acompanhou agricultores na Índia, comparando os resultados de avaliações realizadas antes e depois da colheita. Os participantes tiveram desempenho cognitivo inferior no período anterior à colheita, quando enfrentavam maior escassez de recursos, em comparação com o momento posterior, quando sua situação financeira havia melhorado.

A explicação apresentada pelos pesquisadores é que as preocupações com o orçamento ocupam parte da capacidade mental disponível para outras atividades. Dessa forma, a necessidade constante de administrar recursos insuficientes pode dificultar a concentração e a realização de tarefas que exigem atenção.

No Brasil, os efeitos das dificuldades financeiras também aparecem em levantamentos sobre saúde mental. Uma pesquisa da Serasa, realizada em parceria com o Instituto Opinion Box, em agosto de 2026, mostrou que 89% dos entrevistados já tiveram a saúde mental afetada por problemas financeiros.

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O levantamento identificou ainda que 71% dos participantes relataram impactos na qualidade do sono relacionados às finanças. Na edição anterior da pesquisa, realizada em 2025, esse percentual era de 54%.

Além disso, 80% dos entrevistados apontaram a falta de dinheiro e a dificuldade para pagar contas entre suas principais preocupações.

Os dados mostram que os problemas financeiros podem estar associados a consequências que ultrapassam o orçamento doméstico, incluindo dificuldades de concentração, alterações no sono e prejuízos ao bem-estar psicológico.