Governo brasileiro endurece postura e rebaixa relações diplomáticas com a Argentina

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Autoridades em evento oficial do governo brasileiro (Foto: Instagram)

O Itamaraty anunciou na terça-feira (04) que o Brasil não reencaminhará o embaixador Julio Bitelli à Argentina, como parte de uma estratégia para rebaixar o nível das relações diplomáticas com o governo do presidente Javier Milei. A iniciativa busca sinalizar insatisfação com declarações recentes de Milei, consideradas ofensivas pelo Palácio do Planalto. A partir de agora, a interlocução entre Brasília e Buenos Aires será conduzida por encarregados de negócios, enquanto o Itamaraty aguarda os próximos passos do governo argentino.

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A decisão foi formalmente comunicada ao embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi, junto a uma nota oficial de protesto. Segundo fontes, a medida foi motivada por novas críticas de Milei a autoridades brasileiras, mesmo após o episódio que levou Raimondi a prestar esclarecimentos ao Ministério das Relações Exteriores no fim de julho. Nos bastidores, diplomatas avaliam que as manifestações do presidente argentino refletem falta de interesse em retomar um diálogo institucional equilibrado e respeitoso.

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Com a redução do nível diplomático, todas as tratativas oficiais ficarão sob a responsabilidade de encarregados de negócios, enquanto Julio Bitelli permanecerá em Brasília até que cesse a série de declarações ofensivas por parte de Milei. A retirada de Bitelli da Argentina ocorreu logo após a participação do argentino na Convenção Nacional do Partido Liberal, em São Paulo, onde ele chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de “presidiário” e o ministro Alexandre de Moraes, do STF, de “lixo careca”.

Durante o ato partidário, Milei proferiu duras críticas a Lula e a Alexandre de Moraes, contribuindo para agravar a crise diplomática entre Brasil e Argentina. Desde então, o mandatário voltou a defender publicamente essas declarações em entrevistas à imprensa argentina. Em contrapartida, o chanceler Pablo Quirno afirmou que Buenos Aires não pretende romper as relações institucionais com o Brasil, apesar das tensões elevadas.

Em razão da medida anunciada pelo Itamaraty, o ministro-conselheiro Eduardo Uziel ficará à frente da representação brasileira em Buenos Aires enquanto perdurar o impasse. A estratégia do governo mira manter pressão diplomática até que o presidente argentino adote um tom mais construtivo e respeitoso nas menções ao Brasil. O Itamaraty reforça, contudo, que está aberto ao restabelecimento de um diálogo sério e institucional, desde que haja reciprocidade por parte de Buenos Aires.

Especialistas apontam que, apesar da longa tradição de cooperação em temas como Mercosul e segurança regional, as relações entre os dois países passam por um dos maiores momentos de tensão dos últimos anos. O contraste entre a agenda liberal de Milei e as prioridades do governo brasileiro dificulta avanços bilaterais em áreas econômicas e estratégicas.