
Emmanuel Macron ao lado do rei do Bahrein, Hamad bin Issa Al Khalifa, em cerimônia oficial em Manama (Foto: Instagram)
Sob crescente pressão interna após a onda de violência no fim de semana, Emmanuel Macron anunciou nesta terça-feira (20) ter assegurado 200 mil toneladas adicionais de diesel para amenizar tensões no país. A divulgação ocorreu durante uma viagem ao Golfo que vem sendo fortemente criticada por sua realização em meio aos protestos em solo francês.
Apesar do desgaste político, o presidente francês garantiu compromissos de fornecimento de 295 mil toneladas de diesel junto à Arábia Saudita, aos Emirados Árabes Unidos e ao Bahrein, o equivalente a pouco mais de 10% do consumo nacional. Acompanhado pelo CEO da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, Macron também tratou de rotas marítimas alternativas que evitem o estreito de Ormuz, além de negociar combustíveis com o Kuwait e firmar acordos de defesa na região.
Dos três países do Golfo, os Emirados Árabes Unidos se comprometeram a entregar 100 mil toneladas por mês, e o Bahrein, outras 100 mil toneladas, com o rei Hamad bin Issa Al Khalifa recebendo o presidente em Manama. Essas quantidades se somam às 95 mil toneladas já garantidas pela Arábia Saudita para os meses de outubro e novembro, constituindo um total de 295 mil toneladas — cerca de 2,25 milhões de barris, ou 30% das importações mensais de produtos refinados.
O Kuwait, por sua vez, assumiu “compromissos muito claros” de fornecimento de diesel e querosene para os territórios franceses no oceano Índico, como Mayotte e Reunião, usando uma rota via Omã. Essa passagem permite contornar o estreito de Ormuz, cujas operações estão comprometidas desde fevereiro pelo agravamento do conflito entre Estados Unidos e Irã.
Ao justificar a viagem, Macron foi criticado por ter deixado a França durante manifestações pacíficas de estudantes e dos “coletes amarelos” que resultaram em saques e confrontos. Segundo assessores do Palácio do Eliseu, o objetivo principal era “tranquilizar os franceses” garantindo abastecimento imediato e reduzindo o impacto nos preços.
Para reforçar o esforço, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu anunciou em 12 de outubro a venda a preço de custo de 10 milhões de barris de diesel dessas reservas estratégicas, visando cortar de 12 a 18 centavos de euro por litro nos postos a partir de 1º de novembro. Patrick Pouyanné acrescentou que o risco de desabastecimento no inverno, em fevereiro, estaria “contornado” com esses acordos, embora especialistas apontem incertezas caso novas hostilidades entre EUA e Irã surjam.
Além dos compromissos de fornecimento, o Eliseu informou estar em tratativas para reduzir custos de seguro marítimo no estreito de Ormuz e estudar a construção de oleodutos para o oceano Índico e gasodutos rumo ao Mediterrâneo, passando pelo Egito até Alexandria. Após a visita ao Kuwait e ao Bahrein, onde Macron foi o primeiro presidente francês desde Nicolas Sarkozy, em 2009, a viagem prossegue para o Catar com assinatura de acordos de Estado e novas negociações de defesa.






