Médicos brasileiros intensificam busca por carreira nos Estados Unidos

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Professor explica no quadro as etapas do USMLE Step 1 para médicos brasileiros (Foto: Instagram)

A procura de médicos brasileiros por formação e carreira nos Estados Unidos cresce não apenas pela remuneração, mas também pela qualidade de vida, pela estrutura de ensino e pelas perspectivas profissionais. O movimento ganhou força nos últimos anos, estimulando serviços especializados que orientam os profissionais desde a preparação para exames até a revalidação de diplomas e a entrada em programas de residência.

Dados do National Resident Matching Program (NRMP), responsável pelo processo de seleção de residência médica nos EUA, indicam que, em 2026, 11.944 candidatos classificados como non-U.S. citizen international medical graduates participaram do Match. Esse número representa alta de 51,9% em relação a 2022, e 56,4% desses profissionais garantiram vaga em programas de residência de primeiro ano.

Para quem decide seguir esse caminho, a trajetória envolve várias etapas: estudo para exames como o USMLE, obtenção de certificações, experiência clínica nos Estados Unidos e inscrição no Match. O conjunto dessas demandas transforma a mudança em um projeto de médio e longo prazo, que exige planejamento financeiro e acadêmico bem detalhado para permitir a transição.

No Brasil, a sobrecarga de trabalho e a organização do serviço médico também motivam a migração. Segundo a Demografia Médica no Brasil 2025, a residência pode chegar a 60 horas semanais, e pesquisas apontam que parcela significativa dos médicos ultrapassa esse limite. A rotina de plantões e múltiplos vínculos tende a reforçar a busca por condições mais equilibradas.

A médico na América, organização que presta esse tipo de suporte, registrou expansão de sua base de alunos de 370 em 2023 para 826 em 2025 — um acréscimo de 123%. Em 2026, mais de mil médicos e estudantes de medicina integraram seus programas, e cerca de um terço dos brasileiros que revalidaram diplomas nos EUA eram atendidos pela instituição. Para o Dr. Leonardo Cruz, fundador da Médico na América, esse perfil mudou graças ao aumento de informação estruturada: “Hoje existe muito mais clareza sobre cada etapa, e o médico avalia o próprio percurso com planejamento, considerando formação, oportunidades no Brasil e fora dele.”

Quatro fatores principais influenciam essa decisão: a alta competitividade do mercado brasileiro, que projeta mais de 1,15 milhão de médicos em 2035 sem oferta proporcional de vagas; a busca por qualidade de vida, diante de jornadas extensas; a perspectiva de um processo de formação estruturado nos EUA; e a comparação de remuneração, que depende de especialidade, experiência e modelo de contratação.

O cenário mostra que a mobilidade passou de plano de fuga para componente central de muitos percursos profissionais. Para apoiar essa transição, organizações especializadas desenvolvem metodologias que incluem diagnóstico individual, preparação para o USMLE, vivência clínica e acompanhamento durante o processo de Match, transformando um objetivo distante em um projeto dividido em etapas.