STF abre 2º inquérito contra Flávio Bolsonaro para apurar lavagem com advogado

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Flávio Bolsonaro em ato público no Rio de Janeiro (Foto: Instagram)

O Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu um segundo inquérito contra o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para investigar suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas ao seu relacionamento com o advogado Willer Tomaz. O caso foi remetido pela Polícia Federal e sorteado para o ministro Alexandre de Moraes. Até o momento, as defesas não se manifestaram.

Com essa nova investigação, Flávio Bolsonaro passa a responder a dois inquéritos em tramitação no STF. O primeiro apura pedido de recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para o filme Dark Horse, sob relatoria do ministro André Mendonça.

A origem do segundo inquérito está em apurações da Polícia Federal no Rio Grande do Sul, que examinavam plataformas de pagamento digital e o setor de apostas. Durante essa fase, os agentes federais encontraram indícios de controle de fato de Willer Tomaz sobre a Rede Loto, primeira empresa autorizada a explorar apostas esportivas no Rio de Janeiro.

Segundo a PF, embora Willer tenha sido apontado formalmente como sócio da Rede Loto, foram identificados “elementos indicativos de vínculo de controle ou propriedade de fato” do advogado sobre a empresa. Esses indícios motivaram a abertura de nova investigação em primeira instância, que acabou remetida ao STF em razão do foro privilegiado do senador.

Na análise da quebra de sigilo da nuvem do celular de Willer, os investigadores detectaram interações frequentes entre o advogado e o parlamentar, tais como mensagens, compromissos agendados e documentos que mencionavam Flávio. Pela natureza dos dados, o caso teve de ser deslocado para a Suprema Corte.

Em relatório, a PF destaca que “a trajetória pessoal e os dados relacionados a Willer revelam ampla rede de contatos com agentes públicos e figuras de projeção política, incluindo políticos, servidores, integrantes do Ministério Público e do Judiciário”. Entre esses vínculos, a relação com o senador Flávio Bolsonaro mereceu atenção especial.

Willer Tomaz já havia sido alvo de busca e apreensão em agosto, na Operação Sem Desconto, autorizada pelo ministro André Mendonça, sob suspeita de lavagem de dinheiro e ocultação de recursos para o senador Weverton Rocha (PDT-MA). Na ocasião, Flávio Bolsonaro não era alvo das investigações.

O novo inquérito menciona registros de festas, encontros e reuniões entre Willer e Flávio, além de pagamentos de viagens ao senador. Também cita vínculo de Flávio em uma conta bancária da empresa Alcazar Holding, com ele referido como “usuário master”. De março a maio de 2025, uma conta do advogado movimentou cerca de R$ 130 milhões, o que levou a PF a aprofundar a origem e o destino desses valores.