
Autoridades em mesa de debates na COP17 de Biodiversidade em Yerevan, Armênia, com representantes da ONU. (Foto: Instagram)
Quase 200 países-membros da Convenção sobre Diversidade Biológica da ONU se reúnem em Yerevan, na Armênia, para a 17ª Conferência das Partes (COP17). Na pauta, o primeiro balanço da aplicação do Acordo de Kunming-Montreal, firmado em 2022, que busca frear a perda de espécies e fortalecer a conservação global até 2030.
O tratado estabelece 23 objetivos a serem alcançados na próxima década, incluindo a proteção de pelo menos 30% dos ecossistemas terrestres e marinhos. Dados da ONG WWF apontam que, nos últimos 50 anos, as populações de vertebrados selvagens encolheram 73%. “Estamos na metade do caminho até 2030 e, apesar de alguns avanços, o mundo ainda não faz o suficiente para cumprir o Marco Global de Biodiversidade”, alerta Michel Santos, gerente de políticas públicas da WWF Brasil. Ele defende decisões concretas para acelerar ações, garantir financiamento e aprimorar o monitoramento.
Entre as prioridades brasileiras na COP17 está a inclusão da conectividade ecológica, que visa integrar unidades de conservação, terras indígenas e vegetação nativa em propriedades privadas. Para Rita Mesquita, secretária nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais do Ministério do Meio Ambiente, esse conceito fortalece tanto a proteção das espécies migratórias quanto setores econômicos. “Serviços e soluções baseados na natureza trazem mais estabilidade e segurança aos negócios, especialmente ao agronegócio, que depende de ecossistemas saudáveis”, afirma.
O Brasil, país mais megadiverso do mundo, abriga entre 15% e 20% de todas as espécies conhecidas. Nos últimos anos, o governo adotou iniciativas importantes como a Estratégia e Plano de Ação Nacional para a Biodiversidade (EPANB). Ainda assim, há uma lacuna de recursos estimada em R$ 25 bilhões a cada década, conforme o Ministério do Meio Ambiente. A meta global é atingir US$ 200 bilhões anuais para conservação até 2030, valor que também desafia nações sul-americanas, africanas e asiáticas.
Segundo Michel Santos, não será possível reverter a perda de biodiversidade sem recursos adequados e sem interromper financiamentos a atividades degradantes. “É preciso mobilizar mais fundos, reformar incentivos nocivos e garantir que os mecanismos financeiros respeitem direitos e reconheçam o papel de povos indígenas e comunidades locais”, defende o gestor da WWF Brasil.
A conferência também discute o valor econômico da biodiversidade, com foco em bioeconomia e na criação de parâmetros de sustentabilidade. Um tema sensível é a formalização dos “créditos de biodiversidade”, instrumento para comercializar benefícios gerados pela natureza ou compensar danos. Rita Mesquita ressalta a insubstituibilidade dos ecossistemas: “Não há como compensar a perda de biodiversidade de um lugar por outra em região distinta.”
A COP17 sobre Biodiversidade vai até 30 de outubro, quando deve apresentar ajustes e recomendações para acelerar o cumprimento das metas globais até 2030.






