Líder do Partido das Baratas detido antes de protesto em Nova Délhi

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Abhijeet Dipke discursando enquanto apoiadores registram o momento em Nova Délhi (Foto: Instagram)

Abhijeet Dipke, à frente do movimento indiano conhecido como Partido Popular das Baratas, foi preso em Nova Délhi nesta sexta-feira (16) pouco antes de uma manifestação convocada para criticar a revisão das listas eleitorais. Desde maio, o grupo ganhou destaque como voz de insatisfação de parte da juventude do país e, junto com a oposição, exige a renúncia do presidente da Comissão Eleitoral, Gyanesh Kumar.

A oposição acusa o governo do premiê Narendra Modi de manipular o recadastramento, que teria excluído cerca de 130 milhões de eleitores, prejudicando minorias para favorecer o Bharatiya Janata Party (BJP). Enquanto isso, as autoridades alegam risco de caos e afirmam agir para garantir a ordem. Em paralelo, partidos contrários ao presidente da Comissão recorreram à Suprema Corte para tentar reverter a medida.

Integrantes do movimento afirmam que a revisão conduzida pelo órgão eleitoral teve como único objetivo beneficiar o campo político de Modi, que está no poder desde 2014. A própria Comissão refuta qualquer irregularidade e sustenta que o processo visa apenas corrigir duplicidades, registros de pessoas mortas e fraudes.

Esta foi a segunda detenção de Dipke em menos de uma semana, ambas registradas ao vivo por emissoras locais. No fim de semana anterior, mais de 20 mil manifestantes foram presos pelas forças de segurança para impedir um ato do CJP. Na ocasião, Dipke foi detido assim que desembarcou de um avião em Délhi e permaneceu preso por 24 horas.

Além dele, pelo menos dois outros dirigentes do grupo foram detidos nesta semana após ingressarem em área central proibida para protestos e erguerem bandeiras nacionais. Eles seguem sob custódia por ao menos cinco dias, em cumprimento a ordem judicial.

Em resposta às prisões, Dipke convocou seus apoiadores para se reunirem nesta sexta-feira à tarde em uma praça do centro da capital, que as autoridades decidiram fechar por “razões administrativas”. Pouco antes de ser detido, ele questionou: “Por que vocês têm tanto medo das Baratas? Não temos medo de nada. Se erguer a bandeira nacional nos leva à prisão, estamos dispostos a isso”.

A polícia informou que descumprir as restrições acarretará em sanções legais, mas prometeu permitir o encontro de “algumas pessoas” em local alternativo. Nesta sexta, milhares de agentes e barreiras metálicas foram posicionados na região central para controlar qualquer aglomeração.

O ministro da Defesa, Rajnath Singh, acusou os manifestantes de querer “destruir as instituições democráticas e criar o caos”, afirmando que o movimento não se pauta pela reforma eleitoral, pela saída de Gyanesh Kumar ou pelo futuro dos jovens, mas sim pela tomada do poder e pelo estabelecimento da anarquia.

Nas últimas semanas, o impasse sobre a revisão eleitoral tornou-se um confronto entre o CJP, a oposição e o governo de Modi. Na segunda-feira, o líder do partido de oposição, Rahul Gandhi, encabeçou uma marcha com dezenas de milhares de pessoas até a Suprema Corte, solicitando a anulação do processo que retirou do cadastro 130 milhões de eleitores. Críticos garantem que a medida prejudica sobretudo minorias, sobretudo muçulmanos, lançando dúvidas sobre a legitimidade dos recentes resultados eleitorais. O analista político Ajoy Bose classificou a crise como grave, ressaltando a percepção de manipulação eleitoral e o receio do governo em perder apoio da classe média instruída.