
Mulher madura segura óculos, refletindo sobre autocuidado na região dos olhos (Foto: Instagram)
Com o envelhecimento da população, mulheres com mais de 40 anos vêm associando o autocuidado à autoestima e à sensação de bem-estar. Essa mudança de perspectiva tem impulsionado o interesse por procedimentos que vão além da pele e do corpo, especialmente na delicada região dos olhos, onde o excesso de pele e a ptose palpebral podem afetar não só a aparência, mas também a funcionalidade da visão.
Uma pesquisa realizada em 2025 pela Reds Research com 837 brasileiras entre 40 e 65 anos revelou que seis em cada dez sentem prazer ao dedicar tempo à pele, aos cabelos e ao corpo, e que duas em cada dez enxergam esses cuidados como motivo de orgulho. Esses hábitos continuam mesmo após os 65 anos. No campo econômico, dados da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC) apontam que o setor movimentou R$ 175 bilhões no varejo em 2025, com público acima dos 40 anos cada vez mais engajado.
Na região periocular, questões estéticas podem conviver com alterações funcionais. Sobrecarga de pele nas pálpebras superiores, queda das sobrancelhas, perda de volume ao redor dos olhos e dificuldade para manter as pálpebras abertas geram sensação de peso, desconforto e, em casos mais graves, redução do campo visual. Para diferenciar queixas estéticas de problemas que exigem intervenção médica, a avaliação por especialista é fundamental.
Os dados da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS) referentes a 2024 mostraram mais de 2,1 milhões de cirurgias de pálpebras realizadas em todo o mundo, um crescimento de 13,4% em relação ao ano anterior. O Brasil figura como líder nesse procedimento, respondendo por cerca de 231,3 mil intervenções—equivalente a 10,9% do total global—e também encabeça o ranking de cirurgias estéticas em geral, com cerca de 2,3 milhões de operações.
Em âmbito demográfico, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrou, em 2025, expectativa de vida de 79,9 anos para as brasileiras, que, ao atingir 60 anos, têm em média mais 24,2 anos de vida. No município de Ribeirão Preto, dados do Censo de 2022 apontam 121.456 moradores acima de 60 anos—número superior às 77.551 crianças de até nove anos—e reforçam o debate sobre a qualidade de vida na maturidade.
Para a oftalmologista Dra. Gabriela Câmara, especialista em cirurgia plástica ocular e vias lacrimais pela Unicamp, “nem todo olhar cansado deriva do excesso de pele; é preciso avaliar posição das sobrancelhas, musculatura da pálpebra e saúde da superfície ocular”. Segundo ela, o planejamento pode envolver blefaroplastia, correção de ptose, lifting de supercílio, lipoenxertia ou tratamentos minimamente invasivos, sempre priorizando a função ocular e o respeito às características individuais.






