Perda de peso acentuada aumenta busca por cirurgia plástica

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Flacidez após emagrecimento rápido: pacientes buscam correções em clínicas de cirurgia plástica. (Foto: Instagram)

A popularização das chamadas "canetas emagrecedoras" no Brasil tem revelado um novo perfil de pacientes nas clínicas de cirurgia plástica. A combinação de emagrecimento rápido e significativo estimula a procura por intervenções que corrijam flacidez, excesso de pele e queda de volume, tanto no corpo quanto no rosto, inclusive entre públicos mais jovens.

Dados do Ministério da Saúde mostram que mais de 750 mil pessoas utilizam esses medicamentos mensalmente no país. O cirurgião plástico Alexandre Piassi alerta, porém, que as alterações no contorno corporal não podem ser atribuídas automaticamente às substâncias. “Grande parte das mudanças decorre da própria perda de peso, especialmente quando é intensa ou ocorre em curto espaço de tempo. A literatura científica sobre efeitos específicos desses fármacos ainda está em desenvolvimento”, explica.

Quando o tecido adiposo diminui de forma acentuada, ocorre perda de volume e sustentação para as estruturas. A pele que esteve muito estirada tende a não se retrair totalmente, gerando flacidez em regiões como braços, abdômen e coxas. No rosto, a redução dos compartimentos de gordura pode acentuar sulcos e trazer aparência mais envelhecida. Fatores como idade, genética, exposição solar, tabagismo e magnitude do emagrecimento também influenciam a capacidade de retração cutânea.

A avaliação pré-operatória se mostra fundamental para quem passou por perda drástica de peso. O ideal é aguardar o término da fase mais intensa do emagrecimento e manter o peso estabilizado. “Em vez de definir um período fixo, priorizamos a estabilidade ponderal, as condições clínicas e o estado nutricional. Cirurgias durante a fase de perda ativa aumentam a imprevisibilidade dos resultados e elevam os riscos”, afirma Piassi.

Pacientes em tratamento com medicamentos para emagrecer devem informar ao cirurgião e ao anestesiologista o nome do fármaco, a dosagem, a data da última aplicação e a presença de sintomas gastrointestinais ou outras comorbidades. Alguns agonistas de GLP-1, por exemplo, retardam o esvaziamento gástrico e podem interferir na condução da anestesia. Assim, cada caso requer condutas individualizadas, sem adotar uma regra única de suspensão.

O estado nutricional merece atenção especial, já que perdas muito rápidas podem indicar ingestão insuficiente de proteínas, vitaminas e micronutrientes essenciais para a cicatrização e a recuperação pós-operatória. Além disso, a consulta pré-operatória deve alinhar expectativas realistas sobre os resultados, esclarecendo limites impostos pela qualidade da pele, idade, anatomia e pela capacidade individual de cicatrização.

As mudanças no perfil dos pacientes após emagrecimentos significativos serão tema de debate no congresso Plastic On Board, agendado de 19 a 22 de fevereiro de 2027, com saída de Santos (SP) e destino a Búzios (RJ). A programação incluirá módulos sobre abdominoplastia, contorno corporal, novas técnicas, tecnologias emergentes e segurança do paciente, promovendo a atualização de cirurgiões plásticos diante dos desafios atuais.