Policiais militares disparam 24 vezes e matam homem já caído durante abordagem em SP, aponta TV

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Policiais militares disparam 24 vezes contra homem imobilizado na Vila Dionísia, São Paulo (Foto: Instagram)

Imagens feitas por testemunhas mostram policiais militares disparando ao menos 24 vezes contra Antônio Nunes Batista, de 40 anos, após ele cair no chão durante uma abordagem na Vila Dionísia, Zona Norte de São Paulo. O episódio ocorreu na madrugada de 3 de outubro, na Rua Afonso Lopes Vieira, segundo registro exibido pela TV Globo.

No vídeo, Antônio é atingido por uma arma de choque e cai no asfalto. Ele permanece imóvel até que os policiais começam a efetuar os disparos. É possível ouvir o som de dezenas de tiros enquanto a vítima está deitada no solo, sem oferecer resistência aparente.

Conforme o boletim de ocorrência encaminhado ao Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), os três militares faziam patrulhamento por volta da 1h quando avistaram Antônio, que, segundo eles, apresentava comportamento confuso. Os agentes afirmaram que ele portava uma faca e uma barra de ferro e ameaçava pedestres. Após tentarem imobilizá-lo com uma arma de eletrochoque — sem sucesso, segundo os policiais —, recorreram ao uso de armas de fogo.

Apesar do relato dos PMs de que os disparos teriam sido feitos em reação a uma suposta agressão continuada, as imagens revelam que os tiros começaram depois que Antônio já havia caído. Nenhum dos três agentes que atiraram estava equipado com câmera corporal no momento dos fatos.

Após os disparos, uma equipe de resgate socorreu Antônio e o encaminhou à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Peri 3, onde foi confirmado o óbito. A perícia recolheu no local 24 estojos deflagrados de munição calibre .40, um fragmento de projétil e três cartuchos de arma de eletrochoque. Também foram apreendidos uma faca com cabo branco e um garfo de churrasco danificado; a barra de ferro relatada pelos policiais não foi localizada.

O caso foi registrado como homicídio decorrente de resistência à intervenção policial e porte de arma branca. Embora os atiradores não dispunham de câmeras corporais, o oficial responsável pelo registro da ocorrência e outros agentes ouvidos como testemunhas estavam equipados com o dispositivo. A Polícia Civil solicitou formalmente as gravações ao órgão competente e identificou duas linhas de ônibus próximas cujas câmeras de segurança podem ter captado parte da abordagem.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública informou que os policiais envolvidos foram afastados preventivamente das atividades operacionais. As armas apreendidas passarão por perícia, e exames necroscópico e toxicológico foram requisitados junto ao Instituto Médico Legal (IML). O DHPP instaurou inquérito policial para apurar as circunstâncias da morte, enquanto a Corregedoria da Polícia Militar abriu um Inquérito Policial Militar (IPM), com o compromisso de garantir transparência e rigor na apuração dos fatos.