O americano Cameron Underwood passou por um transplante de rosto aos 26 anos, após sofrer um ferimento por arma de fogo que comprometeu grande parte de sua face. A cirurgia foi realizada no NYU Langone Health, nos Estados Unidos, cerca de 18 meses depois do episódio, ocorrido em 2016. O procedimento durou aproximadamente 25 horas e mobilizou mais de 100 profissionais de saúde.
Antes do transplante, Cameron havia passado por tentativas de reconstrução facial, mas continuava com danos extensos. Ele perdeu grande parte da mandíbula inferior e apresentava comprometimento do maxilar, do palato e de outras estruturas importantes para o funcionamento da boca e do rosto.
Diante da extensão dos ferimentos, a equipe médica optou pelo transplante, que envolveu a substituição de estruturas das regiões central e inferior da face. Entre as partes transplantadas estavam o maxilar, a mandíbula, os dentes, as gengivas, parte do nariz, as pálpebras inferiores e as bochechas.
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A operação foi coordenada pelo cirurgião Eduardo D. Rodriguez, responsável pela equipe que acompanhou o caso. Segundo ele, o objetivo era recuperar não apenas a aparência de Cameron, mas também funções comprometidas pelo ferimento. “Quando conhecemos Cameron, estávamos confiantes de que poderíamos melhorar sua aparência e, mais importante, sua função e qualidade de vida”, afirmou o médico em comunicado divulgado pelo hospital.
O transplante foi possível após a identificação de um doador compatível, encontrado aproximadamente seis meses depois que Cameron entrou na lista de espera. A família do doador autorizou a doação, permitindo que a equipe médica realizasse a cirurgia.
A mãe do doador também se manifestou sobre a decisão da família. “A morte do meu filho foi uma tragédia […] sou grata que pudemos dar vida a outros”, declarou.
De acordo com Rodriguez, o intervalo de aproximadamente 18 meses entre o ferimento e o transplante foi um dos fatores que contribuíram para a recuperação do paciente. O cirurgião também destacou os avanços tecnológicos que têm permitido realizar procedimentos dessa complexidade com maior segurança e eficiência.
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A cirurgia de Cameron integra um grupo restrito de transplantes faciais realizados no mundo. O primeiro procedimento desse tipo aconteceu em 2005 e, desde então, a técnica passou a ser utilizada em pacientes com lesões graves que não podem ser tratadas adequadamente apenas com cirurgias reconstrutivas convencionais.
Na época do caso, aproximadamente 40 transplantes de face haviam sido realizados em diferentes países. O procedimento de Cameron passou a integrar esse histórico de cirurgias destinadas à reconstrução facial e à recuperação de funções afetadas por traumatismos graves.













