Quem são os petistas que vão tentar reverter a desvantagem de Lula na eleição contra Flávio Bolsonaro

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Lula de chapéu durante encontro com novos coordenadores de campanha (Foto: Instagram)

Para o segundo turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) promoveu uma reformulação na coordenação de sua campanha, com a incorporação de três aliados do Nordeste. O objetivo dessa mudança é reforçar a atuação eleitoral na região, vista pelo partido como decisiva para amenizar a vantagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) na corrida pelo Planalto. A estratégia busca intensificar o trabalho de campo em estados nordestinos, onde Lula teve desempenho abaixo do esperado, visando ampliar a mobilização de apoiadores e conquistar novos votos.

A nova equipe de coordenação conta com nomes de peso: o senador Camilo Santana (PT-CE), ex-governador e ex-ministro da Educação, ficará responsável pela articulação política; o senador eleito e ex-governador da Bahia, Rui Costa (PT-BA), assumirá a coordenação da agenda; e o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT-PI), responderá pela comunicação da campanha. Apesar das mudanças, o presidente nacional do partido, Edinho Silva, segue como comandante-geral, agora dividindo as decisões com os coordenadores regionais.

A decisão de reforçar o time nordestino ocorreu após avaliação interna de que a região apresentou resultados inferiores aos de 2022. Os novos coordenadores passaram a participar de reuniões diárias com Lula desde a segunda-feira, 5, com o objetivo de definir planos mais aderentes às realidades locais. A expectativa é que o diálogo entre o comando geral e os representantes estaduais fortaleça a articulação política e agilize a tomada de decisões.

O próprio presidente reconheceu falhas na organização da campanha em recente plenária com parlamentares. “Acho que fizemos uma campanha aquém da minha possibilidade. Poderíamos ter feito mais. Disse para o Edinho que essa foi a campanha menos organizada que participei desde 1989”, afirmou Lula ao vivo. O assessorado avalia que o recuo na eficiência logística comprometeu a capilaridade da mensagem em diversas cidades-chave.

O resultado surpreendeu o PT: Flávio Bolsonaro encerrou o primeiro turno à frente de Lula na disputa presidencial. Diante desse cenário, a campanha petista passou a revisar estratégias em duas frentes principais. Na articulação política, há a busca por alianças mais sólidas e intensificação de ações comunitárias. Na comunicação, o foco é repaginar a narrativa e o formato de divulgação das propostas, explorando novas ferramentas para ampliar o alcance junto a grupos de eleitores ainda pouco engajados.

Na área digital, a mudança também é significativa. Lula se reuniu nesta semana com influenciadores digitais e deputados recém-eleitos experientes em redes sociais para definir uma nova frente de atuação. O grupo terá um espaço exclusivo no quartel-general da campanha, em Brasília, dedicado à produção de conteúdos e à disseminação de mensagens. Paralelamente, o presidente vem flexibilizando seu estilo nas plataformas, gravando vídeos em formato mais informal e enviando áudios em grupos de aplicativos de mensagem. Além disso, ampliou a abordagem de temas como segurança pública e crise no Supremo Tribunal Federal (STF), adotando um tom mais combativo nos discursos digitais e debates virtuais.