
Atleta usa camisa com patrocínio de plataforma de apostas em jogo beneficente (Foto: Instagram)
Em entrevista ao Flow Podcast na quinta-feira (1º), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que irá extinguir as apostas esportivas, conhecidas como bets, “doa a quem doer”. Segundo o petista, a decisão decorre de relatos de endividamento e prejuízos financeiros que atingem principalmente famílias mais vulneráveis. Lula também destacou que a TV Globo, uma das maiores veiculadoras de publicidade dessas plataformas, poderá ficar descontente com a medida, mas que isso não o fará recuar de sua determinação.
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A iniciativa de pôr fim às bets, afirmou o presidente, visa proteger consumidores e conter o avanço de dívidas relacionadas ao vício em apostas. Lula ressaltou que recebeu diversos depoimentos de cidadãos que enfrentam dificuldades financeiras graves por causa das apostas on-line, o que reforçou sua convicção de que a melhor saída é a proibição total do setor. Ele sublinhou que qualquer tentativa de regulação falhou em evitar a expansão das casas de apostas.
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O presidente explicou que decidiu agir somente agora porque desconhecia até então a real dimensão dos danos causados pelas apostas. Ele admitiu que, embora já houvesse iniciativas para regulamentar o segmento, novas operadoras surgiam constantemente, burlando as regras e ampliando o problema. “Não conseguiram controlar. Não conseguiram regular. Cada vez que você regula, aparece mais uma. Tem que acabar mesmo”, declarou.
Lula antecipou que enfrentará forte resistência de setores econômicos e políticos. Ele citou a preocupação de clubes de futebol, deputados e empresas que recebem patrocínios das casas de apostas, mas frisou que essa oposição não será suficiente para barrar a medida. Para o presidente, as receitas publicitárias geradas pelas bets representam um obstáculo menor diante do impacto social negativo.
Questionado sobre por que não havia adotado a medida antes, o petista repetiu que só se convenceu da urgência quando tomou conhecimento de casos reais de superendividamento provocados pelo vício em apostas. Ele ressaltou que seu governo estudou alternativas e chegou à conclusão de que a única solução eficaz é o fim definitivo do setor.
Por fim, Lula reconheceu que a sanção da medida marcará o início de uma “guerra” administrativa e judicial. Ele previu que haverá tentativas de contorno da proibição e garantiu que sua gestão está preparada para enfrentar recursos e disputas para assegurar a proteção dos cidadãos contra os malefícios das apostas esportivas.






