Seu jeito de ser pode estar no DNA: estudo encontra mais de 1.200 variantes ligadas à personalidade

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Um dos maiores estudos já feitos sobre genética da personalidade identificou mais de 1.200 variantes genéticas associadas aos chamados cinco grandes traços: abertura a experiências, conscienciosidade, extroversão, amabilidade e neuroticismo. A pesquisa, liderada por cientistas da Universidade Estadual de Michigan e publicada na revista Nature, reuniu dados de 46 grupos de pesquisa e analisou amostras de DNA e questionários de participantes de diferentes países.

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Os pesquisadores destacam, porém, que não existe um único “gene da personalidade”. Cada variante exerce um efeito pequeno e os resultados aparecem quando várias delas são observadas em conjunto. As associações foram identificadas em diferentes idades e populações, mas os especialistas ressaltam que genética e ambiente atuam de forma integrada. Experiências familiares, cultura, educação, relações e escolhas pessoais também participam da construção dos comportamentos.

Outro estudo, da Universidade Rice, analisou 219 pessoas que cuidavam de parceiros com demência e encontrou relação entre determinados traços de personalidade, estresse e respostas do organismo. Cuidadores com maior neuroticismo e menor amabilidade apresentaram maior sobrecarga, níveis mais elevados de inflamação e pior funcionamento físico. Os pesquisadores ressaltam que isso não significa que a personalidade determine a saúde, mas que pode influenciar a maneira como cada pessoa reage aos estressores do cotidiano.

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Especialistas ouvidos pelo estudo reforçam que o DNA não define sozinho quem alguém será. A genética pode aumentar ou diminuir probabilidades de determinados comportamentos, enquanto as experiências ao longo da vida ajudam a moldar essas tendências. Até mesmo estimativas de herdabilidade, que em estudos com gêmeos ficam em torno de 40% a 60% para alguns comportamentos, não significam que essa parcela da personalidade esteja predeterminada.