Bombeiro da reserva enviava Pix de R$ 0,01 para ameaçar ex-companheira

Posted by


Uso de transferências via Pix para envio de ameaças a ex-companheira (Foto: Instagram)

Por meses, mesmo após ser bloqueado nas redes sociais e em aplicativos de mensagens, um bombeiro militar da reserva em Roraima encontrou um meio alternativo para manter contato com a ex-companheira. Conforme apurou a Polícia Civil do estado, ele passou a usar o sistema de pagamento instantâneo Pix para enviar quantias simbólicas e aproveitar o campo de descrição da transferência a fim de incluir ameaças diretas. A prática demonstrou criatividade na intimidação, apesar da ausência de diálogo direto.

++ Elize Matsunaga: Carro do crime agora tem novo dono e acumula várias dívidas

De acordo com o inquérito, o suspeito realizava transferências de valores simbólicos — R$ 0,01, R$ 1, R$ 2 e R$ 5 — para usar o espaço reservado à descrição da operação como canal de perseguição. Nas mensagens, ele inseria frases como “Eu não vou desistir de você, sei que me bloqueou” e “Só pra avisar que eu ainda moro aí […] qualquer hora posso tá chegando.” Essas transferências forçavam a vítima a confrontar as ameaças ao receber a notificação bancária ou consultar o extrato.

++ Fiji enfrenta surto acelerado de HIV impulsionado pelo uso de metanfetamina

Segundo a Polícia Civil, a estratégia era eficiente porque as notificações bancárias e o extrato de transações não podem ser bloqueados pelo usuário. Ao receber o aviso de Pix ou ao consultar seus registros, a mulher era obrigada a visualizar as mensagens de ameaça, intensificando o sofrimento psicológico. A investigação destaca que esse método se tornou mais uma tática de intimidação diante da impossibilidade de contato direto.

As investigações apontam que as transferências por Pix faziam parte de um padrão de perseguição mais amplo. Além de monitorar a rotina da ex-companheira, o militar da reserva procurava informações sobre seus horários de trabalho e aparecia em locais que ela costumava visitar. A Polícia Civil identificou que ele buscava manter vigilância constante, o que reforça o caráter sistemático do assédio e do constrangimento sofrido pela vítima.

O inquérito teve acesso aos comprovantes das transações usadas para enviar as ameaças, além de registros de notificações bancárias que comprovam a prática. As autoridades também analisam conversas eletrônicas anteriores ao bloqueio e depoimentos de testemunhas para contextualizar a escalada da violência psicológica. A corporação informa que novas diligências estão em andamento em Boa Vista para reunir elementos que permitam responsabilizar o suspeito.

Em razão da escalada das ameaças e das evidências reunidas, a Justiça expediu um mandado de prisão preventiva contra o bombeiro em Boa Vista. Ele responde pelos crimes de perseguição, violência psicológica e ameaça, e figura como investigado em um processo separado por tentativa de estupro. A medida cautelar visa garantir a segurança da vítima e impedir novas ações de intimidação enquanto o inquérito estiver em tramitação.

Até o momento, a defesa do militar não foi localizada para comentar as acusações. A Polícia Civil de Roraima informou que o inquérito continua em curso e que outras provas podem ser solicitadas para elucidar completamente o caso. Enquanto isso, a vítima permanece sob monitoramento das autoridades e medidas protetivas seguem em vigor, conforme determina a legislação de enfrentamento à violência doméstica e familiar.