Doação de órgãos: saiba como registrar sua intenção pela internet

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Solidariedade em forma de coração: a doação de órgãos que transforma vidas. (Foto: Instagram)

Desde o início de 2024, mais de 32 mil brasileiros formalizaram o desejo de doar órgãos por meio da Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (Aedo), um serviço gratuito oferecido pelos cartórios de notas que pode ser acessado totalmente pela internet. A plataforma ganhou destaque durante o Setembro Verde, mês dedicado à conscientização sobre a relevância dos transplantes no país, permitindo que qualquer pessoa manifeste sua vontade sem precisar sair de casa.

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Para iniciar o processo, o interessado deve acessar o portal do e-Notariado, preencher um formulário com dados pessoais e selecionar um cartório de notas de sua preferência. Em seguida, ocorre uma videoconferência com o tabelião para confirmação de identidade e validação da decisão. Após a conferência, o documento é assinado eletronicamente e integrado à Central Nacional de Doadores de Órgãos, onde profissionais autorizados do Sistema Nacional de Transplantes podem consultá-lo. É possível escolher quais órgãos, tecidos ou partes do corpo serão doados e alterar essa autorização a qualquer momento.

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A relevância dessa iniciativa fica clara ao analisar a demanda atual por transplantes no Brasil. Dados recentes do Ministério da Saúde indicam que mais de 49 mil pacientes aguardam por um procedimento de doação. Desse total, cerca de 45 mil pessoas esperam especificamente por um rim, enquanto um levantamento do Conselho Brasileiro de Oftalmologia aponta que 37.719 pacientes estão na fila por uma cirurgia de córnea, destacando a urgência de ampliar o número de voluntários.

Embora o registro na Aedo garanta o registro formal da vontade de doar, a decisão final depende da concordância dos familiares após o falecimento do doador. No país, a retirada de órgãos para transplante só ocorre com a autorização da família, e estudos do Colégio Notarial do Brasil – Conselho Federal revelam que a taxa média de recusa familiar gira em torno de 45%. Entre os motivos estão o desconhecimento prévio sobre o desejo do falecido e dúvidas sobre o processo de doação.

O Setembro Verde reforça a importância de não apenas registrar a intenção, mas também de dialogar abertamente com parentes sobre a decisão. O Dia Nacional de Doação de Órgãos, celebrado em 27 de setembro, tem como objetivo aumentar a conscientização e estimular essas conversas em família. “Registrar o desejo é fundamental, mas é igualmente importante que a família saiba e respeite essa vontade”, destaca Eduardo Calais, presidente do Colégio Notarial do Brasil – Conselho Federal. Dessa forma, o registro eletrônico e a comunicação familiar caminham juntos para garantir mais doações e salvar vidas.