Emirados Árabes Unidos avisaram Netanyahu sobre ofensiva do Hamas antes de 7 de outubro

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Alerta de Abu Dhabi antes de 7 de outubro teria sido ignorado por Netanyahu (Foto: Instagram)

O presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohammed bin Zayed, teria alertado pessoalmente o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, cerca de dez dias antes dos ataques de 7 de outubro de 2023, segundo reportagem do jornal Haaretz. Na ligação, Bin Zayed informou que Yahya Sinwar, então líder do Hamas em Gaza, articulava uma ofensiva de grandes proporções que poderia marcar uma escalada violenta no conflito israelo-palestino.
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De acordo com o Haaretz, o mandatário em Abu Dhabi reforçou que os planos do Hamas acarretariam um derramamento de sangue significativo e comprometeriam a estabilidade regional. Bin Zayed teria enfatizado ainda o risco de fragilização dos Acordos de Abraão, firmados em 2020 para normalizar relações entre Israel e várias nações árabes de maioria muçulmana, caso a ofensiva se concretizasse.
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O jornal relata que Netanyahu recebeu o alerta com “relativa calma”, afirmando a Bin Zayed que Israel estava pronto para qualquer contingência. Em nota, o primeiro-ministro ressaltou que a ameaça mais plausível vinha de grupos na Cisjordânia ocupada, ao invés de Gaza, minimizando a magnitude do aviso recebido. Essa postura, segundo analistas, pode ter influenciado a percepção das Forças de Defesa de Israel antes dos ataques de outubro.

Na primeira manhã de 7 de outubro, militantes do Hamas executaram uma série de incursões em território israelense, resultando na morte de cerca de 1.200 pessoas e no sequestro de 251 reféns, entre civis e militares. Em resposta, Israel lançou uma ampla campanha militar em Gaza, desencadeando confrontos também no Líbano e tensionando relações com o Irã. As operações deixaram centenas de mortos adicionais, em especial soldados israelenses.

O gabinete de Netanyahu refutou o conteúdo da reportagem, classificando-o como “mentira absoluta” e garantindo que não houve qualquer conversa com o presidente dos Emirados Árabes Unidos no período mencionado. A declaração oficial afirmou que o premiê não recebeu advertências de Abu Dhabi sobre movimentos do Hamas e que o relato do Haaretz não corresponde à realidade dos fatos.

O Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos, por sua vez, divulgou que não comentaria “especulações sobre conversas entre líderes governamentais”. O silêncio de ambas as partes sustenta a controvérsia em torno do suposto aviso prévio, deixando em aberto a avaliação de falhas de inteligência e a real dimensão do diálogo diplomático antes da maior ofensiva do Hamas em anos.