Policial sobrevive ao 11 de Setembro soterrado por 10 horas e hoje revela o que viveu

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Will Jimeno, então com 33 anos, era policial da Autoridade Portuária de Nova York e Nova Jersey quando ficou preso sob os escombros do World Trade Center durante os atentados de 11 de setembro de 2001. Após passar cerca de dez horas soterrado, ele foi resgatado com vida e, 25 anos depois, relembra o período em que lutou para sobreviver e a recuperação que veio depois.

Naquele dia, Jimeno havia começado o turno às 7h no terminal rodoviário da Autoridade Portuária, em Manhattan. Antes de sair de casa, se despediu da esposa, Allison, e da filha Bianca, então com 4 anos.

Poucas horas depois, estava no centro comercial sob as Torres Gêmeas com outros policiais, ajudando na evacuação de pessoas. A situação mudou quando a Torre Sul desabou. Jimeno foi lançado ao chão pelos destroços, enquanto os policiais Christopher Amoroso e Antonio Rodrigues morreram.

Menos de 30 minutos depois, a Torre Norte também caiu. Jimeno viu Dominick Pezzulo morrer e ficou preso próximo ao sargento John McLoughlin. Na escuridão, entre concreto e estruturas de aço, os dois permaneceram sob cerca de 9 metros de destroços.

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Jimeno contou que, naquele momento, pensou que os dois morreriam. Sua preocupação também estava voltada para Allison, que estava grávida de sete meses. Sem saber que o rádio de McLoughlin não funcionava, pediu que ele deixasse um recado para a esposa e dissesse que o bebê deveria se chamar Olivia.

Enquanto aguardavam o resgate, os dois enfrentaram calor, fumaça, poeira e ferimentos. McLoughlin alertou Jimeno que eles precisariam continuar conscientes para sobreviver, dizendo que não havia treinamento para uma situação como aquela e que tudo dependeria da vontade de permanecerem vivos. Jimeno contou que os dois rezaram durante as horas em que ficaram presos.

Dois fuzileiros navais e um civil ouviram os pedidos de ajuda e encontraram os policiais. Scott Strauss e Patrick McGee, agentes do Departamento de Polícia de Nova York, participaram da operação para retirar Jimeno. O resgate levou cerca de três horas.

Jimeno foi retirado dos escombros às 23h. Ele estava entre apenas 20 sobreviventes encontrados com vida no local. Levado ao Hospital Bellevue, sofreu duas paradas cardíacas, passou por oito cirurgias e permaneceu quase três meses internado. A perna esquerda ficou parcialmente paralisada e, em alguns dias, não funciona.

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A recuperação também trouxe consequências para sua saúde mental. Jimeno passou por episódios intensos de raiva e, em duas ocasiões, pensou em suicídio. No fim de 2002, procurou ajuda para lidar com o transtorno de estresse pós-traumático. As lesões acabaram levando à sua aposentadoria da Autoridade Portuária em 2004. “Você tem que aprender a conviver com isso. Não há cura”, disse à People.

Apesar das dificuldades, Jimeno voltou sua atenção para a família. Em novembro de 2001, ainda usando cadeira de rodas, acompanhou o nascimento de Olivia no dia de seu aniversário de 34 anos. “Tenho sido abençoado com uma segunda chance na vida. Pude ver minhas filhas crescerem, estar presente nas comunhões, nas festas de aniversário, vê-las se formarem e se tornarem belas jovens que deixaram Allison e eu muito orgulhosos”, afirmou.

Ao falar sobre os anos que se seguiram ao ataque, Jimeno afirma que considera ter recebido uma segunda oportunidade de viver. Ele diz que pôde acompanhar as filhas em momentos importantes, como aniversários, competições esportivas, cerimônias religiosas e formatura.

A experiência também levou Jimeno a compartilhar sua história com outras pessoas. Para ele, falar sobre o que aconteceu permite olhar não apenas para a destruição provocada pelos atentados, mas também para a possibilidade de reconstrução.

Ao recordar o período em que ficou preso nos escombros, Jimeno resume a forma como passou a encarar as tragédias: “Espero que você não precise sofrer uma tragédia durante a sua vida, mas muitos de nós sofreremos. E, quando isso acontecer, você precisa se levantar, juntar os pedaços e seguir em frente”.