
Piedade em alerta: dois ataques de tubarão em 48 horas (Foto: Instagram)
Pernambuco concentra um dos maiores históricos de ataques de tubarão no Brasil devido à combinação de fatores naturais e às modificações provocadas pela ação humana ao longo das últimas décadas. Correntes marítimas trazem resíduos e matéria orgânica em direção ao litoral, atraindo cardumes que, por sua vez, despertam o interesse de espécies de tubarões nas proximidades da costa.
++ Gretchen se revolta após crítica de médico e rebate: “Só quem me para é Deus”
A confirmação de dois ataques em menos de 48 horas reacendeu o alerta na praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, área reconhecida pelo histórico de incidentes com esses animais. Apesar da proibição de banho desde 2021, banhistas desavisados ainda se arriscam em trechos críticos, colocando-se em contato direto com tubarões próximos à beira d’água.
++ Ratinho se pronuncia após processo movido por Chico Buarque
Especialistas reforçam que a presença de tubarões no litoral pernambucano não é novidade. Em entrevista à CNN, o engenheiro de pesca e professor da UFRPE, Paulo Oliveira, lembrou que esses animais “sempre estiveram e ainda estão nesta região”. Dados do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões, iniciado na década de 1990, apontam dezenas de ocorrências, com destaque para um percurso próximo à Igrejinha de Piedade.
Nos últimos anos, a diminuição de projetos de monitoramento e de campanhas educativas contribuiu para a desinformação de muitos frequentadores. Ao longo da última década, programas de pesquisa foram encerrados, reduzindo o alcance de orientações sobre áreas de risco, limites de profundidade e comportamentos seguros durante a permanência no mar.
O litoral pernambucano apresenta características naturais que facilitam a aproximação de tubarões à faixa de areia. A existência de canais profundos faz com que esses predadores trafeguem mais perto da costa. Além disso, a turbidez da água reduz a visibilidade, aumentando as chances de encontros indesejados, e o acúmulo de matéria orgânica serve de isca para cardumes, atraindo predadores marinhos.
Entre as espécies mais registradas está o tubarão-cabeça-chata, que utiliza áreas litorâneas para reprodução. Fêmeas prenhes permanecem por mais tempo próximas à praia em busca de locais rasos para desova. Também há impactos gerados pela abertura de canais no Porto de Suape, cujas obras alteraram rotas de peixes e intensificaram o tráfego de embarcações, elevando a presença de resíduos orgânicos e mudanças na dinâmica costeira.

