
EUA incluem PCC e CV em lista de terrorismo; sistema financeiro brasileiro reforça controles (Foto: Instagram)
A decisão dos Estados Unidos de incluir o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas já provoca apreensão no sistema financeiro brasileiro. Especialistas alertam que a medida deve intensificar a fiscalização sobre transações bancárias, operações via Pix e movimentações consideradas atípicas.
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Os grupos foram adicionados pela gestão Trump à lista de “Terroristas Globais Especialmente Designados” (SDGT) e também passam a constar oficialmente como “Organizações Terroristas Estrangeiras” dos EUA. Na prática, isso amplia o poder das autoridades americanas para rastrear recursos financeiros ligados—direta ou indiretamente—a essas facções.
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Devido a essa designação, bancos, fintechs e demais empresas brasileiras com operações em dólar ou vínculos com o sistema financeiro americano deverão reforçar protocolos internos. O objetivo é mapear melhor os fluxos de capital e evitar punições ou sanções internacionais por eventual associação a atividades terroristas.
Entre os serviços sob observação, o Pix ganha destaque por movimentar bilhões de reais diariamente e proporcionar transferências imediatas. Segundo especialistas, o sistema poderá ter critérios de monitoramento ainda mais rígidos em casos de transações fora do padrão.
Relatórios da Polícia Federal apontam que facções criminosas já se valem de contas digitais, empresas de fachada e transferências eletrônicas para lavagem de dinheiro. Na Operação Fluxo Oculto, deflagrada nesta semana, as autoridades investigaram o uso de “contas-bolsão”, modalidade que mistura recursos para dificultar o rastreamento financeiro. “O rastro do dinheiro sempre vira prioridade em medidas desse tipo. O Pix naturalmente entra nesse monitoramento”, explica o analista Felipe Sant’Anna.
Além do endurecimento da vigilância bancária, especialistas também ressaltam o potencial impacto jurídico da iniciativa. Enquanto os EUA passam a tratar PCC e CV como organizações terroristas, o Brasil mantém a classificação desses grupos apenas como facções criminosas. Essa disparidade aumenta a insegurança para investidores estrangeiros e pode pressionar setores como o financeiro, logístico, de combustíveis e empresas com atuação internacional.
Nesta sexta-feira (29), o dólar operava em alta e a Bolsa brasileira registrava queda em meio à repercussão da decisão estadunidense. Para analistas, o efeito mais relevante será o incremento na fiscalização de movimentações financeiras e a intensificação de cobranças internacionais por controles mais eficazes no combate à lavagem de dinheiro.

