
Novas terapias focais para câncer de próstata ganham sinal verde do CFM (Foto: Instagram)
Em 27 de maio de 2026, o Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou resolução autorizando o uso de duas novas terapias focais no tratamento do câncer de próstata: o ultrassom focalizado de alta intensidade (HIFU) e a crioablação. Essas técnicas destinam-se a casos selecionados de doença localizada e de risco intermediário favorável, com foco exclusivo na região afetada, permitindo a preservação do tecido prostático saudável e reduzindo o trauma cirúrgico e radiológico associados aos métodos convencionais.
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As intervenções agem diretamente sobre o nódulo cancerígeno por meio de ondas de ultrassom ou congelamento controlado, em contraste com a retirada total da próstata ou a radioterapia que abrange toda a glândula. A ideia central é minimizar sequelas como incontinência urinária e disfunção erétil, oferecendo um tratamento mais direcionado e de recuperação mais rápida. Além disso, o uso desses procedimentos pode ser indicado para pacientes que já foram submetidos à radioterapia.
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De acordo com a resolução do CFM, os candidatos ideais são homens com tumores restritos a um único ponto da próstata, classificados como risco intermediário favorável. A norma também prevê aplicação em situações específicas de baixo risco, especialmente quando a extensão da lesão impede a vigilância ativa, ou em casos nos quais o paciente já recebeu radioterapia. Essas abordagens, conhecidas como terapias focais, representam uma tendência da oncologia moderna voltada para intervenções localizadas e menos agressivas.
Até então, as principais opções para o câncer de próstata envolviam a prostatectomia radical—retirada completa da glândula—ou a radioterapia em larga escala. Embora eficazes no controle tumoral, esses métodos podem gerar efeitos adversos significativos, como alterações urinárias, comprometimento da função sexual e impactos na fertilidade. Nos últimos anos, avanços em exames de imagem e no entendimento do comportamento tumoral permitiram diferenciar casos que exigem intervenções mais agressivas daqueles que podem se beneficiar de tratamentos focalizados.
O urologista Stenio Zequi, líder do Centro de Referência em Tumores Urológicos do A.C.Camargo Cancer Center, ressalta que as terapias focais apresentam taxas de complicações muito menores — em torno de 5% — em comparação com os tratamentos convencionais. Ele destaca ainda que esses procedimentos costumam ser realizados sob anestesia leve, com curta duração e alta possibilidade de alta ambulatorial no mesmo dia, favorecendo uma recuperação mais rápida e menos impacto na qualidade de vida dos pacientes.
A resolução enfatiza, porém, que as terapias focais não substituem completamente a cirurgia ou a radioterapia em casos de risco elevado ou tumores mais agressivos. A indicação permanece restrita a um perfil definido e requer acompanhamento rigoroso após o procedimento, com monitoramento de PSA trimestral no primeiro ano, semestral nos dois anos seguintes e anual posteriormente. Além disso, exames de imagem e nova biópsia entre seis e 12 meses após a intervenção são fundamentais para avaliar a resposta terapêutica.

