
Ex-presidente Jair Bolsonaro ao lado da imagem do ator Jim Caviezel como ele em “Dark Horse”. (Foto: Instagram)
O longa “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), segue em pós-produção nos Estados Unidos e ainda não tem previsão oficial de estreia no Brasil. Além de concluir efeitos visuais e trilha sonora, o projeto precisa de uma distribuidora nacional e do registro na Ancine. O filme também enfrenta uma ofensiva judicial no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e virou alvo de apurações após o senador Flávio Bolsonaro confirmar captações milionárias com o banqueiro Daniel Vorcaro.
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A produção já passa pelos ajustes finais, que englobam efeitos especiais de última geração e mixagem de som. A estimativa inicial de estreia era setembro deste ano, mas aliados do clã Bolsonaro cogitam antecipar o lançamento para minimizar o impacto político das denúncias envolvendo a captação de recursos. A ideia, segundo colaboradores, é estrear o quanto antes para tentar contornar a repercussão negativa que saiu na imprensa.
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Apesar do avanço na produção, “Dark Horse” só poderá ser exibido publicamente após firmar contrato com uma distribuidora brasileira e obter o registro definitivo junto à Agência Nacional do Cinema (Ancine). A Ancine instaurou procedimento para investigar o real papel da Go Up Entertainment, produtora responsável pelo projeto, e verificar se houve intermediação de empresa estrangeira sem a documentação exigida. A falta de comprovantes pré-apresentados pode resultar em multa de até R$ 100 mil.
A trama virou combustível para a crise política que envolve Flávio Bolsonaro, depois que o site The Intercept Brasil divulgou mensagens e áudios sobre a negociação de recursos. O senador admitiu ter buscado financiamentos privados, revelando que R$ 61 milhões foram repassados por meio de companhias ligadas a Daniel Vorcaro para um fundo gerido por um advogado próximo a Eduardo Bolsonaro. A conexão financeira suscitou suspeitas sobre a real destinação dos valores e refletiu nas pesquisas eleitorais, que apontaram queda na popularidade de Flávio.
Paralelamente à apuração na Ancine, integrantes do PT e aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva protocolaram no TSE pedido para impedir o lançamento de “Dark Horse” antes das eleições. Argumenta-se na ação que o filme pode funcionar como propaganda eleitoral velada, dado o forte teor político e o potencial de influência em salas de cinema, redes sociais e serviços de streaming. A representação questiona ainda a origem dos recursos utilizados na produção.
Outro aspecto que chama a atenção é o orçamento milionário do projeto. Conforme declarações de Karina Ferreira da Gama, dona da Go Up Entertainment, o custo ultrapassaria os US$ 13 milhões — equivalente a cerca de R$ 65,7 milhões. Esse montante supera orçamentos de recentes produções nacionais de destaque, como “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto”. A Go Up também nunca havia lançado um título no Brasil ou no exterior antes deste empreendimento.
Com direção de uma equipe internacional, o filme traz o ator americano Jim Caviezel, famoso por sua interpretação de Jesus em “A Paixão de Cristo”. As filmagens ocorreram em parte no Brasil, com diálogos em inglês e elenco majoritariamente estrangeiro. Versões do roteiro já divulgadas sugerem que o longa mostrará a facada sofrida por Bolsonaro em 2018 e até alegará fraude na eleição de 2022, repetindo narrativas de aliados do ex-presidente após a derrota nas urnas.

