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Causa da morte de mulher baleada em perseguição policial na fronteira é revelada

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Familiares de Maykelly Poitis questionam versão de afogamento após laudo apontar tiro (Foto: Instagram)

Familiares de Maykelly Araujo Poitis, de 30 anos, desafiam a versão inicial de que a manicure teria morrido por afogamento após o carro em que estava capotar em uma piscina na fronteira entre Ponta Porã (MS) e Pedro Juan Caballero (PY). Segundo laudo oficial, a causa real do falecimento foi perfuração cardíaca provocada por disparo de arma de fogo durante a ação policial. O caso, que ganhou repercussão, agora é investigado com base no documento técnico.

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A certidão de óbito emitida pelo Hospital Regional de Ponta Porã lista como causas da morte “choque hemorrágico hipovolêmico, perfuração cardíaca por projétil de arma de fogo, lesão perfurocontusa dorsal e ação perfurocontundente”. Os parentes afirmam ter procurado a imprensa após se depararem com reportagens que mencionavam somente o afogamento. “Temos o laudo e queremos justiça”, declararam.

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Antes mesmo do capotamento, Maykelly enviou um áudio à mãe relatando o perigo: “Mãe, a polícia me pegou, liga para pedir o advogado. A polícia está correndo atrás de nós, está dando tiro em nós”. Para os familiares, as gravações comprovam o desespero da vítima, que pedia ao motorista que interrompesse a fuga.

O episódio aconteceu na sexta-feira, 15 de março, quando o motorista de um Peugeot 207 Passion ignorou ordens de parada em postos de fiscalização da Polícia Militar Rodoviária de Mato Grosso do Sul. A perseguição avançou até Pedro Juan Caballero, no Paraguai, e terminou com o veículo invadindo uma propriedade e capotando em uma piscina.

Maykelly foi socorrida com ferimentos graves e levada ao Hospital Regional da Fronteira, mas não resistiu. O motorista, Vinícius Thiago Basílio da Silva, de 33 anos, foi preso e confessou que transportava cerca de 10 quilos de skunk – derivado da maconha – com destino a Campo Grande, alegando que pagaria pelo transporte e que a manicure desconhecia o conteúdo ilícito.

Os parentes reforçam que Maykelly conhecia Vinícius apenas como amigo e negam que ela tivesse relação com o transporte de drogas. Segundo depoimento, ela saiu de Campo Grande para comprar cobertas e casacos para a loja de roupas que mantinha próximo ao Aeroporto de Ponta Porã e ainda vendia cachorro-quente à noite para complementar a renda. A manicure deixa uma filha de 13 anos.

A família exige investigação aprofundada dos tiros disparados pela polícia durante a perseguição, criticando o uso excessivo de força. “Ela morreu baleada. Deveriam ter atirado no pneu, não na pessoa”, protestam os parentes. O caso segue sob apuração conjunta das autoridades brasileiras e paraguaias, que analisam a dinâmica da morte, a origem da droga e a atuação dos agentes.

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