
Policiais conversam com moradores em área rural de Quixeramobim durante ação que resultou na prisão em flagrante de um homem de 40 anos suspeito de ameaçar a irmã com foice. (Foto: Instagram)
Na segunda-feira (11), um homem de 40 anos foi preso em flagrante em Quixeramobim, no Sertão Central do Ceará, após ameaçar decepar as mãos da própria irmã, de 27 anos, com uma foice. O episódio provocou pânico em moradores e autoridades locais, pois ocorreu apenas dez dias depois de outro crime quase idêntico na mesma cidade, no qual a jovem Ana Clara de Oliveira teve os membros superiores decepados. A Polícia Civil classifica o caso como violência doméstica grave e reforça o alerta para a proteção das mulheres na região.
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De acordo com a Polícia Militar, o suspeito foi localizado em uma área rural de Quixeramobim, ainda portando uma faca, enquanto a foice usada nas ameaças foi apreendida na residência do agressor. Ele foi encaminhado à Delegacia Regional e autuado por violência doméstica, devendo aguardar audiência de custódia. Investigadores afirmam que a pronta ação dos policiais evitou que a ação fosse consumada e destacam a importância do registro imediato de ocorrências em casos de risco familiar.
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O caso reacende a tragédia vivida em 1º de maio, quando Ana Clara, de 21 anos, teve as mãos decepadas pelo ex-cunhado, Ronivaldo Rocha dos Santos, a mando do então namorado, Evangelista Rocha dos Santos. A jovem fingiu-se de morta para sobreviver ao ataque e foi socorrida em estado grave. No Instituto Dr. José Frota (IJF), em Fortaleza, passou por cirurgias complexas de reimplante de membros e, segundo médicos, apresenta evolução clínica considerada positiva.
Na terça-feira (12), a Polícia Civil indiciou Evangelista e Ronivaldo por tentativa de feminicídio. Em nota, o delegado responsável pelo caso afirmou que o uso de ferramentas cortantes em disputas domésticas vem sendo monitorado de perto pelas autoridades, com o objetivo de prevenir um possível “efeito contágio” de crimes violentos na região. Segundo o órgão, medidas cautelares e reforço no policiamento têm sido adotados para coibir esse tipo de ocorrência.
A onda de ataques em Quixeramobim provocou comoção e mobilização de órgãos de defesa dos direitos da mulher. Representantes da Casa da Mulher Brasileira passaram a reforçar campanhas de conscientização contra a violência doméstica e destacam a importância do apoio psicológico às vítimas. Lideranças locais também promovem encontros com moradores para orientar sobre a denúncia de suspeitas, enfatizando que o silêncio pode perpetuar tragédias semelhantes.
Mulheres em situação de risco ou que sofram ameaças podem procurar imediatamente a Casa da Mulher Brasileira de Quixeramobim ou acionar o número 190 (Polícia Militar) e 181 (Disque-Denúncia). O serviço garante o sigilo das informações e disponibiliza medidas protetivas urgentes, como o afastamento do agressor. Organizações de assistência reforçam que o registro do boletim de ocorrência é o primeiro passo para interromper ciclos de violência e preservar a integridade física e emocional das vítimas.

