
Donald Trump em pronunciamento, ao lado de bandeiras dos EUA, reforça ameaça ao Irã (Foto: Instagram)
Na última terça-feira (7), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a elevar a tensão global ao falar em um ataque devastador ao Irã, capaz de fazê-lo “desaparecer em uma noite”. Em entrevista ao Bacci Notícias, o professor titular de Direito Internacional Público da Faculdade de Direito da USP, Paulo Borba Casella, avaliou que, além de intensificar riscos geopolíticos, a retórica de Trump representaria um “crime de guerra” e provocaria graves consequências para a estabilidade mundial.
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Para Casella, o histórico de bravatas do presidente sugere uma manobra de pressão, mas não afasta a possibilidade de ação real. O professor alerta que um ataque maciço contra alvos civis violaria o direito internacional e seria “absolutamente criminoso e irresponsável”. Ele destaca ainda que isso provocaria sequelas profundas não só na região, mas em todo o planeta.
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O especialista também apontou o efeito imediato nos preços do petróleo. Com cerca de 20% do óleo mundial passando pelo Estreito de Hormuz, o risco geopolítico já fez a commodity subir até 50% nos últimos 30 dias. Embora medidas tenham sido tomadas para evitar o bloqueio total das rotas marítimas — liberando navios de diversas nacionalidades e mantendo a proibição apenas para embarcações dos EUA e de Israel —, a instabilidade segue alta.
Casella observou a contradição na política energética americana. “O governo Trump aposta no petróleo e despreza fontes renováveis, o que amplia a dependência internacional e fortalece o poder de barganha do Irã”, afirmou. Ele concluiu que as escolhas de Washington, longe de diminuir os riscos, acabaram por intensificar a vulnerabilidade global.
No plano diplomático, o professor ressaltou que os EUA não conseguiram formar uma coalizão para justificar qualquer intervenção militar. “Os europeus se recusaram a entrar nessa briga, pois não foram responsáveis pela escalada da crise”, disse Casella, sublinhando o isolamento norte-americano frente à comunidade internacional.
Sobre a pretendida mudança de regime no Irã, ele classificou a ideia como virtualmente descartada até dentro do próprio governo americano. Segundo Casella, insistir nessa pauta só reforçaria as linhas mais duras no país persa e afastaria moderados, prejudicando eventuais negociações futuras.
Para o docente, a falta de um planejamento coerente é o maior problema da gestão Trump nessa crise. “Não há objetivos claros, o que compromete qualquer estratégia de solução. Sem definição de fins, dificilmente se alcançará resultados eficazes”, concluiu.

