
Investigador do Cenipa registra destroços de monomotor que caiu sobre restaurante em Capão da Canoa (RS) (Foto: Instagram)
A investigação sobre a queda de um avião que atingiu um restaurante em Capão da Canoa, no litoral norte do Rio Grande do Sul, já teve início pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). O acidente, que vitimou as quatro pessoas a bordo, chama a atenção pelo fato de a aeronave, regular perante a Anac, não possuir caixa-preta — equipamento não exigido no modelo. A aeronave fazia um voo de demonstração para potenciais compradores quando caiu sobre o estabelecimento.
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A Polícia Civil do Rio Grande do Sul instaurou inquérito para apurar as causas do acidente e eventual responsabilização. Sem sobreviventes, os delegados ouvirão familiares, testemunhas e colaboradores da empresa proprietária. Segundo o responsável pelo caso, a prioridade atual é a análise técnica; somente depois da conclusão dos laudos será possível apontar eventuais atribuições penais.
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Paralelamente, a Aeronáutica também investiga o incidente por meio do Cenipa, avaliando aspectos humanos, operacionais e materiais. Com caráter preventivo, o órgão pretende divulgar um relatório preliminar em até 30 dias, embora o parecer final não tenha prazo definido. Técnicos do Quinto Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos, sediado em Canoas, examinam destroços, documentos, registros de voo, condições meteorológicas, além de imagens e depoimentos.
As primeiras suspeitas indicam que a aeronave não teria alcançado a velocidade necessária para decolagem a partir da cabeceira da pista. A ação de vento de cauda pode ter comprometido a aceleração segura do avião, segundo fontes ouvidas pela reportagem.
Conforme levantamento da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o avião prefixo PS-RBK, fabricado em 1999, estava em situação regular de aeronavegabilidade. O monomotor de seis lugares suportava até 1.970 quilos no decolagem e tinha certificado de verificação válido até 30 de maio. A rota incluía partida de Itápolis (SP), escala em Forquilhinha (SC) para reabastecimento e destino final no Rio Grande do Sul.
As quatro vítimas foram identificadas como os empresários Déborah Belanda Ortolani e Luis Antonio Ortolani, o sócio da empresa de aviação Renan Saes e o piloto Nelio Pessanha. Renan havia publicado pouco antes um vídeo mostrando a vista da janela do avião. O Instituto-Geral de Perícias do Rio Grande do Sul liberou os corpos, cujos velórios aconteceram entre os dias 4 e 5 de março em cidades do Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro.

