
Tenente-coronel aposentado recebe R$20 mil mensais mesmo preso por feminicídio (Foto: Instagram)
A Polícia Militar de São Paulo concedeu aposentadoria ao tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, atualmente preso sob acusação de feminicídio da esposa, a soldado Gisele Alves Santana. O ato foi publicado no Diário Oficial nesta quinta-feira (2) e surpreende pela agilidade com que o processo foi finalizado. Além disso, o valor do benefício – em torno de R$ 20 mil mensais – também chama a atenção frente às circunstâncias do caso e à natureza da acusação.
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A informação foi inicialmente divulgada pelo SBT News e depois confirmada pelo Bacci Notícias. O militar está detido preventivamente, e responde a denúncia apresentada pela Vara do Júri por feminicídio e fraude processual. Mesmo com a prisão decretada e as acusações graves, o procedimento de concessão do benefício avançou em tempo recorde, sem qualquer suspensão ou postergação. Até o momento, não há registros de impedimentos formais ao andamento da aposentadoria.
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De acordo com o processo, Neto teria matado a companheira no apartamento do casal, na região central de São Paulo, e tentado encobrir o crime simulando um suicídio. A perícia técnica e a análise de mensagens entre o oficial e a vítima foram determinantes para desmontar a versão apresentada pelo tenente-coronel, que alegava que Gisele atentou contra a própria vida. Esses elementos influenciaram na denúncia por feminicídio e na abertura de investigação por fraude processual.
O caso, que ganhou repercussão nacional, levanta questionamentos sobre os critérios internos da corporação para aposentadoria em meio a investigações criminais. Familiares da vítima e movimentos de defesa dos direitos das mulheres manifestaram indignação ao saber da concessão do benefício, considerando a rápida tramitação contraditória com o caráter grave das acusações. Até agora, não foi informado se haverá nova revisão do processo ou possibilidade de suspensão do pagamento do benefício.
O tempo de serviço do tenente-coronel era suficiente para garantir a inatividade, mas Neto não foi promovido ao posto de coronel, como ocorre em alguns casos no momento da aposentadoria. Isso pode representar economia ao erário público, mas não impede a percepção de privilégio indevido, segundo especialistas em administração pública. O benefício continuará a ser pago enquanto durar o trâmite regular, a menos que haja decisão judicial em sentido contrário.
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo e o comando da Polícia Militar ainda não se pronunciaram oficialmente sobre as motivações e os critérios adotados para liberar o benefício previdenciário. A portaria que formalizou a aposentadoria permanece em vigor, e qualquer alteração dependerá de nova deliberação administrativa ou de sentença judicial. O caso segue em investigação, e o poder Judiciário deve se manifestar sobre as provas apresentadas antes do julgamento definitivo.

